Fonte: Folha de S. Paulo - 19/2/2014 - 12h37
PEDRO SOARES
DO RIO
Atualizado às 13h03
Setor de maior peso na economia, os serviços foram puxados em 2013 pelo bom desempenho dos transportes, que, sozinho, correspondeu a cerca de 40% do crescimento alcançado em 2013 —8,5%, índice inferior aos 10% de 2012.
Um dos pilares desse dinamismo do transporte foi o transporte aéreo, estimulado pelo maior acesso das classes mais baixas de renda a esse serviço e pelas promoções, segundo o IBGE. Ao todo, o segmento de transporte avançou 10,8%.
Em 2013, as companhias aéreas sofreram com o menor crescimento econômico, cortaram voos e aumentaram preços. Ainda assim, o IPCA apurou uma alta menor das tarifas em 2013 —7,42%, contra um aumento de 26% em 2012.
Dentre os vários ramos de serviços, outro destaque, em 2013, foram os prestados às famílias, como os de alojamento e alimentação. Nesse ramo, o faturamento subiu 10,2%, mas a atividade tem um peso menor do que os transportes na economia.
Os setor de serviços pesa cerca de 65% do PIB do país e ganha espaço a cada ano com a diversificação de atividades e a sofisticação do consumo —tendência já vista em países desenvolvidos, a medida que o rendimento cresce.
Pelos dados do IBGE, os serviços profissionais, administrativos e complementares cresceram 8,1% em 2013. Os serviços de informação e comunicação registraram alta de 6,9% e outros serviços apresentaram uma expansão de 5,9%.
Apesar de um crescimento abaixo da média, os serviços de comunicação corresponderam a 20% do crescimento do setor de serviços como um todo. O ramo tem como pano de fundo de seu dinamismo a inovação e o lançamento de novos serviços especialmente de informática e telecom.
Regionalmente, o destaque ficou com o Distrito Federal, um grande polo do setor de serviços no país por conta de sediar o governo federal e bancos públicos como Caixa e Banco do Brasil. Lá, houve expansão de 15,7% em 2013, a de maior peso no índice.
"O Distrito Federal tem um grande peso na estrutura do setor de serviços no Brasil", disse Nilo Lopes de Macedo, técnico do IBGE.
Outros resultados expressivos foram registrados por Mato Grosso (20,4%), Ceará e Tocantins (ambas com 13%). Já menores taxas foram ficaram com Sergipe (3%), Piauí (3,4%) e Amapá (4,4%).
INFLAÇÃO CORRÓI DESEMPENHO
Para a CNC, a inflação dos serviços fez com que o faturamento do setor, em termos reais, fosse negativo. "Os dados nominais de 2013 deflacionados pela inflação dos serviços apurada pelo IPCA (+8,75%) no mesmo período apontam para uma variação real de -0,2% da receita com a prestação de serviços", diz a entidade.
Acontece que o IBGE avalia que não é possível aplicar diretamente esse índice porque nem todos os serviços pesquisados pelo IPCA são comtemplados pela pesquisa. Dois exemplos são empregado doméstico e aluguel.
"A inflação de serviços continuou elevada em 2013 (+8,73%) e foi praticamente a mesma de 2012 (+8,75%). A diferença é que no ano passado a receita do setor não cresceu o suficiente para proporcionar ganho real no faturamento do setor", diz Fabio Bentes, economista da CNC.
Além de ainda não contar com um deflator específico para a obtenção de um índice de volume dos serviços, a pesquisa do IBGE também não tem um ajuste sazonal nos dados mensais.