05 de dezembro de 2013

SP ‘precisa acordar’ e aproveitar o pré-sal

Fonte: A Tribuna - 5/12/2013

# Fiesp aponta falhas com a competitividade

EDUARDO BRANDÃO

ENVIADO A SÃO PAULO

“São Paulo precisa acordar. A ficha ainda não caiu sobre as possibilidades do petróleo e gás. No Rio de Janeiro o empresariado só respira as expectativas do pré-sal”. O alerta foi dado pelo diretor do Departamento de Competitividade e Tecnologia da Fiesp, José Ricardo Roriz Coelho, durante o painel Virando o jogo: como melhorar a competitividade do Polo Industrial de Cubatão.

Segundo ele, estaleiros e indústrias secundárias da cadeia produtiva petrolífera têm optado por outras regiões do País. Além do Rio de Janeiro, o Rio Grande do Sul e Santa Catarina sabem seduzir os investidores do setor. “Sendo que (o petróleo e o gás) estão aqui à nossa frente. A cada dia que se passa, (as oportunidades) estão saindo de nossas mãos. Até agora, os resultados obtidos em São Paulo são ridículos”.

PERDA DE COMPETITIVIDADE

Apesar do aumento de renda do brasileiro, nos últimos 15 anos, a indústria nacional cresce aquém das expectativas do setor. Um em cada quatro produtos industrializados vendidos no Brasil tem origem em outro país. Na década passada, a participação de importados era inferior a 10% do volume comercializado no País.

A alta carga tributária, saturação dos acessos logísticos e taxa cambial são apontadas como fatores da falta de competitividade. Coelho sustenta que o Brasil está em situação defasada perante o próprio Brics (sigla em inglês com as iniciais de Brasil Rússia, Índia, China e África do Sul, que identifica as economias emergentes).

Em média, os produtos de nações emergentes são 30% mais baratos que os do Brasil. “É mais barato colocar a matéria-prima brasileira num navio, direcioná-la à China, lá ser transformada em mercadoria, e retornar para cá”.

Segundo ele, dois quintos do valor dos produtos manufaturados brasileiros são para arcar com a carga tributária.

A formação profissional também é citada como entrave. Coelho cita que a cada 100 formandos de nível superior, apenas oito são da Engenharia. “Entre esses, três vão para o mercado financeiro”. Na China, os engenheiros concentram 40% dos universitários.

Para reverter o cenário, Coelho defende robustos investimentos em infraestrutura. Modelo que, segundo ele, foi adotado no Japão, Coreia do Sul e França – que elevaram seus crescimentos a patamares acima da média mundial nas últimas duas décadas. “O Brasil tem condições de competir, desde com matéria-prima adequada e política que seja favorável ao setor produtivo”.

MAIS CARO

Os produtos de nações emergentes são 30% mais baratos que os manufaturados do Brasil. Segundo a Fiesp, dois quintos do valor dos manufaturados brasileiros estão comprometidos com a carga tributária.

AMARRAS NA ECONOMIA

“Estamos numa época a qual se precisa desatar as amarras. Regras mais simples para que as pessoas de bem não tenham tantos obstáculos e possam trabalhar com mais liberdade”

Paulo Skaf, presidente da Fiesp

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