24 de outubro de 2012

Sobre Hobsbawm

Rodrigo Sias - Economista do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

A decisão do Copom, do BC, de reduzir a Selic em 0,25 p.p. na última reunião representou um reforço em termos de estimular a recuperação da economia. Não foi uma decisão unânime, assim como não havia unanimidade dentre os economistas antes dessa reunião.

Boa parte apostava que o ciclo teria se encerrado, enquanto alguns sinalizavam que ainda havia espaço para mais um corte neste ano. De qualquer forma, a decisão do Copom indica que a autoridade monetária ainda vê uma atividade econômica debilitada. De fato, os resultados recentes do PIB mostram que a economia segue estagnada.

Mesmo os estímulos fiscais e monetários adotados pelo governo se mostraram insuficientes para que nossa economia esboce uma reação mais clara.É claro que existem defasagens entre as ações de política econômica e seus efeitos sobre a atividade econômica e a inflação.

No entanto, era de se esperar que a inversão da política monetária iniciada no segundo semestre de 2011 já pudesse ser percebida de forma mais clara nesse momento.

De qualquer forma, o BC está tolerando uma convergência mais lenta da inflação para o centro da meta e prioriza a retomada da atividade. Logicamente, um dos papéis dos bancos centrais é exatamente estabilizar o produto e é o que o BC tem tentado fazer.

Aparentemente, no entanto, ainda falta um diagnóstico mais preciso sobre o que está ocorrendo na economia neste momento. Convivemos com uma taxa de desemprego relativamente baixa e, ao mesmo tempo, com um crescimento econômico inexpressivo (previsão de 1,5% para este ano).

A resposta da atividade econômica ao longo de 2009 aos estímulos fiscais e monetários foi significativa e o Brasil foi um dos países que melhor reagiu à crise financeira detonada a partir da quebra do Lehman Brothers.

Desde então, as famílias brasileiras passaram por um crescente endividamento e o real permaneceu constantemente apreciado frente às demais moedas.

Os efeitos desse processo estão se fazendo sentir com maior intensidade neste momento. Mesmo com o menor patamar da taxa de juros desde a implementação do real, a atividade econômica permanece atrofiada.

Para agravar esse quadro, a apreciação do real faz com que boa parte do consumo doméstico seja direcionada para o setor externo, piorando o quadro da indústria nacional. Tudo indica que não há uma reversão clara da atividade econômica brasileira à vista. Aparentemente, essa recuperação será mais lenta que o verificado nos ciclos anteriores recentes.

Sob essa perspectiva, o governo brasileiro insistiu no mesmo conjunto de medidas econômicas adotadas no auge da crise. A realidade dos fatos tem mostrado a ineficácia dessas medidas neste ano. O crescimento do endividamento das famílias sem uma contrapartida do aumento da renda na mesma velocidade aparentemente está na raiz da moderação do crescimento brasileiro.

Nesse contexto, seria mais salutar o governo inovar seu conjunto de medidas para estímulo econômico. Uma alternativa interessante seria reduzir temporariamente o imposto de renda para as famílias, o que permitiria estimular o consumo e também ajudaria as mesmas a saldarem suas dívidas.

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Rodrigo Sias é economista do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

Fonte: Brasil Econômico - 24/10/2012

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