15 de julho de 2014

Sem trigo, Argentina pede paciência ao Brasil

Fonte: Folha de S. Paulo - 15/7/2014

Vaivém das commodities

MAURO ZAFALON

mauro.zafalon@uol.com.br

A safra recorde de trigo fará o Brasil importar menos cereal neste ano. Não fosse esse aumento de produção, o país teria de continuar buscando o produto fora do Mercosul --e pagando mais.

Os argentinos pedem paciência ao Brasil e avisam que a recuperação da produção no país será lenta.

Os produtores argentinos terão de acreditar não apenas em uma boa evolução dos preços no mercado mas em uma menor interferência do governo no setor.

O país tem, segundo o mercado, possibilidade de semear pelo menos 6 milhões de hectares com trigo, mas é provável que essa área fique restrita a 4 milhões.

Na avaliação do Ministério da Agricultura, á área deverá crescer 23% e atingir 4,5 milhões neste ano.

Se o governo estiver certo em sua previsão de área, a produção poderá subir para 11 milhões de toneladas, depois de ter atingido 9,2 milhões em 2013/14. Esses volumes ainda estão distantes das médias anteriores, quando o país atingia próximo de 15 milhões de toneladas.

Tradicionais fornecedores de trigo para o Brasil, os argentinos venderam apenas 1,1 milhão de toneladas para os moinhos brasileiros no primeiro semestre deste ano. Esse volume mostra uma retração de 56% em relação ao de igual período de 2013.

A ausência argentina no mercado fez o país buscar 1,1 milhão de toneladas de trigo nos Estados Unidos.

Outro parceiro brasileiro foi o Uruguai, que elevou em 500% o volume de trigo exportado para o Brasil neste ano. De janeiro a junho, os uruguaios colocaram 631 mil toneladas nos moinhos brasileiros. Há quem diga que parte desse trigo tem origem argentina.

A pouca oferta argentina fez o Brasil buscar novos mercados. Até a China aparece na lista de fornecedor do cereal para o país.

As importações brasileiras, que somaram 6,4 milhões no ano passado, após terem atingido 7 milhões em 2012, devem cair para 5,5 milhões de toneladas neste ano, segundo o Ministério da Agricultura.

A produção nacional, após ter ficado em 5,5 milhões de toneladas em 2013, deverá subir para 7,4 milhões neste ano, estima o governo. O aumento se deve à maior área a ser semeada no Paraná e no Rio Grande do Sul.

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