19 de fevereiro de 2014

Safra volta a provocar o caos

Fonte: A Tribuna - 19/2/2014, página A-3

# Estradas e vias ‘travaram’ após terminais desrespeitarem, de novo, o agendamento de caminhões. Codesp promete multar empresas

DÉBORA PEDROSO

DA REDAÇÃO

No primeiro dia de grande transtorno por causa do trânsito provocado pelo escoamento da safra - com filas de mais de 30km - a Codesp identificou o que todos já sabiam: os terminais portuários estão desrespeitando o agendamento de caminhões.

Houve reflexos na entrada de Santos e, principalmente, em Cubatão, afetando com maior intensidade trabalhadores do polo industrial e moradores da cidade.

De acordo com a Codesp, ocorreram situações em que os veículos chegaram à região com até dois dias de antecedência.

Na semana passada, A Tribuna denunciou o problema, identificando pelo menos 16% dos veículos irregulares.

Em entrevista coletiva realizada no final da tarde, as autoridades evitaram identificar as empresas responsáveis pelo caos, mas prometeram punição.

"Precisamos analisar os relatórios e encaminhar para a Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários), que emitirá as multas”, explicou o diretor do Departamento de Informações Portuárias da S ecretaria de Portos (SEP), Luís Cláudio Santana Montenegro.

“A regra está estabelecida e precisa ser cumprida. Por pouco não paramos as atividades portuárias porque, apesar dos congestionamentos, não tinha caminhão no Porto. Hoje (ontem), provavelmente, emitiremos as primeiras multas”, garantiu.

Conforme resolução publicada no final do ano passado, o terminal que desrespeitar a norma de agendamento pode ser multado de R$ 1 mil a R$ 2 mil por caminhão irregular.

Apesar dos transtornos de ontem, a administração portuária acredita que o sistema de agendamento surtirá resultado. “Não acredito que todos os dias sejam iguais (a ontem). Existe uma expectativa positiva até em função de dados históricos”, prevê o presidente da Codesp, Renato Barco.

POUCAS INFORMAÇÕES

A Codesp não deu detalhes sobre a movimentação portuária de ontem. Atribuiu o problema também a um fluxo acima do normal de veículos em direção ao cais. O órgão apurou junto à Ecovias que, no domingo, dois mil caminhões vieram para a região, enquanto na segunda-feira foram 12 mil.

Outro problema apontado foi o excesso de caminhões no Distrito Industrial da Alemoa, que ocasionou fila na Rodovia Anchieta. Ainda assim, garantiu-se que o Porto de Santos possui capacidade para absorver todo o volume da safra.

Enquanto isso, a Codesp credencia outros dois pátios para caminhões, na tentativa de reduzir as filas de espera para o escoamento. Um pátio funcionará em Sumaré, com 200 vagas, e outro na Zona Noroeste de Santos, com 150 vagas, mas ainda sem data para operarem.

A safra de 2014 tem previsão de aumento de 4,9% em relação a 2013. Só o escoamento de soja deve crescer 16%. No pico, o Porto pode receber até 15 mil caminhões por dia.

# 30 km de filas travaram o trânsito

JOSÉ CLAUDIO PIMENTEL

A história se repetiu. A Rodovia Anchieta e a Rodovia Cônego Domênico Rangoni, principais acessos viários dos veículos comerciais ao Porto de Santos e à Baixada Santista, voltaram a registrar filas de mais de 30 quilômetros ontem. Além do desrespeito ao agendamento de caminhões para o escoamento da produção agrícola, o cadenciamento da carga ainda não se mostrou eficaz.

Diferentemente da última safra, o problema, segundo as autoridades viárias, encontra-se desta vez no fluxo de chegada aos dois únicospátios reguladores (que recebem os veículos antes de eles terem permissão para entrar no Porto de Santos, para embarcar ou desembarcar a carga), localizados justamente no centro do polo industrial de Cubatão.

“Registramos problemas na chegada a esses pátios que já estavam cheios e continuavam a receber os veículos”, disse o capitão da Polícia Rodoviária, Gustavo Magnani.

MANOBRA

Segundo ele, emergencialmente, os policiais que integram a Operação Safra tiveram que iniciar uma manobra para fazer com que esses caminhões não ficassem parados nas estradas.

A ideia, portanto, foi colocá-los em rotatividade. “Com o pátio cheio, todos na fila voltaram para a estrada e foram orientados a seguir direto ao terminal de destino. Se ficassem parados, as rodovias permaneceriam travadas”, explicou.

A entrada nos bolsões só foi liberada depois que vagas foram abertas para receber novos caminhões, ao final da manhã de ontem.

Segundo a Ecovias, concessionária responsável pelo Sistema Anchieta-Imigrantes (SAI), o pico de tráfego parado foi registrado por volta das

10 horas. O horário coincide com aquele em que os homens da Polícia Rodoviária Estadual conseguiram contornar o acúmulo de caminhões.

“O congestionamento formou um grande ‘T’ na estrada. A base estava nos pátios e o chapéu na Anchieta”, afirmou Magnani.

DESDE CEDO

Ainda na madrugada, as filas já se formavam. A entrada de Guarujá, pela Rodovia Cônego Domênico Rangoni, ficou livre, uma vez que o tráfego estava todo represado na região dos pátios, na mesma via, só que em Cubatão - local mais crítico, onde moradores e trabalhadores das indústrias, mais uma vez, foram os principais afetados.

A situação também ficou caótica na entrada de Santos, na Via Anchieta, onde se formaram filas na região da Alemoa. Inicialmente acreditava-se em excesso de veículos em direção à região industrial - fora do Porto - mas, depois, a Polícia confirmou que o problema era o excesso de caminhões graneleiros.

A situação se agravou no Trevo de Cubatão, que parou.

NA FILA

Mesmo com agendamento e após terem passado pelos pátios reguladores, caminhoneiros aguardaram em uma faixa rotativa na Avenida Perimetral de Santos para descarregar no T-Grão, na Margem Direita do Porto de Santos.

“Estou desde a madrugada parado aqui. Pediram para eu sair do pátio e eu acreditava que entraria direto no terminal”, desabafa o caminhoneiro

Florisvaldo Martins.

“Se estamos aqui, então não existe agendamento. A safra mal começou e já está assim. Imagina nas próximas semanas”, diz o caminhoneiro Renato Oliveira.

O T-Grão, por meio de sua assessoria de imprensa, informa que no último final de semana sofreu um problema pontual, causado pelas fortes chuvas, principalmente no sábado, quando ocorreu o alagamento no entorno do terminal e que inundou parte de sua linha de recebimento rodoviário, comprometendo parcialmente as operações. Após análise da gravidade do problema, suspendeu suas “originações” para que o problema não agravasse o resíduo de veículos na região.

 

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