05 de setembro de 2013

R$26 bi para P&D

Fonte: A Tribuna / 5/9/2013

Petrolíferas investirão verba bilionária em pesquisas nos próximos nove anos

Universidades, instituições de pesquisa e seus profissionais terão uma verba gigante para desenvolver projetos para o setor de petróleo e gás – R$ 26 bilhões. O valor, que será repassado pelas petrolíferas em operação no País, é uma estimativa da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis(ANP) para o período que vai deste ano até 2020.

A UniSantos está entre as instituições de todo o País que adquiriram o direito de ser beneficiadas. O Instituto de Pesquisa Científica e Tecnológica (Ipeci) da universidade conseguiu credenciamento junto à  ANP em janeiro de 2011.

Ainda não há projetos da UniSantos vinculados a esses recursos. Isso porque o fluxo de parcerias para pesquisas depende do avanço das petroleiras na Bacia de Santos, que ainda está em sua fase inicial.

Esse aporte bilionário também garantirá a instalação do Centro de Pesquisa Tecnológica em Petróleo e Gás da Baixada Santista (CenpegBS), que receberá R$ 77 milhões de repasses da Petrobras.

Ele ficará em uma áreado antigo Colégio Santista e as obras devem começar no próximo ano, segundo a presidente da estatal,Graça Foster.

A ANP explica que os contratos de concessão para exploração e produção de petróleo e gás contra com uma cláusula que define o repasse de recursos para pesquisa em desenvolvimento (P&D).

A intenção do governo é dar condições tecnológicas para a expansão da indústria e de outros segmentos de petróleo e gás do setor no País. Dessa forma, o Brasil não se tornará um mero exportador, exaurindo suas reservas sem agregar valor à economia.

A chamada cláusula de P&D obriga às concessionárias investir 1% da receita bruta para pesquisa, desenvolvimento e inovação.

Simultaneamente, a ANP credenciou 25 instituições de ensino e pesquisa– neste bolo está a UniSantos. “A ANP credencia e certifica a instituição que tem material humano, infraestrutura e capacidade para prestar serviços para essa indústria”, afirma a diretora-adjunta do Ipeci/UniSantos, Adriana Florentino de Souza.

VERBA JÁ DISTRIBUÍDA

Entre 1998 e o segundo trimestre de 2013, a cláusula de P&D distribuiu R$ 8,06 bilhões. Segundo a ANP, os recursos foram calculados com base na produção de 35 campos.

A participação da Petrobras é esmagadora – a estatal investiu R$ 7,85 bilhões,que equivalem a 97,4% do total.Em segundo lugar aparece a Repsol Sinopec, com R$ 35,17 milhões (apenas 0,44%).

 

PROJETOS FINANCIADOS

Nos últimos sete anos, a agência aprovou repasses a 1.058 projetos.De todos os recursos garantidos pela cláusula, metade precisa ser destinada às instituições credenciadas à ANP e com estudos autorizados pela agência. Mas o restante fica à disposição das concessionárias, que podem utilizá-lo em pesquisas em suas próprias instalações ou em suas subsidiárias.

Projetos de ponta premiados pela ANP

A ANP concluiu em agosto a primeira edição do Prêmio ANP de Inovação Tecnológica para projetos brasileiros que receberam recursos da Cláusula de Investimentos em Pesquisa e Desenvolvimento(P&D). O vencedor foi o Sistema de Separação Submarina Água Óleo (SSAO) - Projeto Piloto de Marlim. Confira o SSAO e os outros quatro trabalhos finalistas.

Sistema de Separação Submarina Água Óleo(SSAO)

É o primeiro sistema em todo o mundo de separação da água extraída com petróleo. O projeto é da Petrobras e foii nstalado na plataforma P-37, no campo de Marlim,e desenvolvido em conjunto com a americana FMC.O empreendimento recebeu US$90 milhões da cláusula de P&D (fundo formado por repasses das petrolíferas para pesquisa).O sistema desenvolvido separa a água produzida por um poço de petróleo e o devolve ao reservatório, aumentando sua pressão e,consequentemente,a produção de óleo e o fator de recuperação. A produção de óleo, gás e água do poço é direcionada a  um separador trifásico submarino, onde a água é separada e bombeada para reinjeção.A primeira reinjeção de água produzida pelo poço MRL-141 ocorreu em 31 de março último através do poço injetor MRL-211.

Essa tecnologia elimina a necessidade de tratamento a bordo de 11 mil barris de água por dia, bem como redução da necessidade de descarte desta água e a diminuição do uso de produtos químicos no seu tratamento.

Também participam da pesquisa a Prysmian, Statoil e ESSS.

>> Monitoramento Sísmico Permanente em Águas Profundas(MSP)

OMSP é aplicado no campo de Jubarte, no litoral sul do Espírito Santo, na Bacia de Campos.O sistema é desenvolvido pela norueguesa Petroleum Geophysical Services(PGS)e é o primeiro a monitorar de forma permanente reservatórios da Petrobras em águas profundas.O projeto recebeu R$99,4 milhões em recursos da cláusula de P&D. A sísmica permite gerenciar os reservatórios em tempo real. O gerenciamento dos reservatórios, do ponto de vista das pressões de injeção de água, pode ser otimizado,repercutindo positivamente na produção e no fator de recuperação de óleo, bem como na segurança das operações.

O sistema foi instalado a 1.300 metros de profundidade.A captação dos sinais refletidos é feita por um conjunto de 721 estações receptoras colocadas ao longo de 36 km de cabos de fibra ótica ligados à P-57.Tudo é conectado aos ismógrafo ótico eletrônico. A primeira aquisição de dados sísmicos 3D de alta definição foi concluída em fevereiro.,

 

>>Boia de Sustentação de Riser (BSR)

Facilita o processo de escoamento do petróleo por meio dos risers em águas ultra profundas. O riser é um tubo que leva gás e petróleo para a

plataforma. A BSR promove o desacoplamento entre os movimentos do navio e a dinâmica dos risers de aço. A Petrobras investiu R$6,2milhões da cláusula de P&D no projeto para adaptação e reparo da boia protótipo.ABSR garante mais segurança no transporte do petróleo do poço até a plataforma. A tecnologia foi escolhida pela Petrobras para ser usada nos campos de Lula-NE e Sapinhoá.

>>Bomba Multifásica Submarina Hélico-Axial(BMSHA)

Está instalada e operando desde 14 de julho no campo de Barracuda, na Bacia de Campos, interligada ao poço produtor7-BR-073HPA-RJS e à plataforma P-48. É a bomba multifásica com o maior diferencial de pressão do mundo(60bar)– os que estão em operação vão até 45 bar. Isso possibilita aumentar a vazão da produção em 6 mil

barris/dia. O ganho de produção é de 45% do potencial do poço.O projeto foi desenvolvido em conjunto com a norueguesa Framo Engineering com US$31 milhões da cláusulade P&D.

>>Injeção Submarina de Água do Mar(RWI,em inglês)

Desenvolvido pela Petrobras em conjunto com a Framo Engineering, que subcontratou a FMC. A RWI viabiliza a injeção ou o aumento da cota de injeção de água em campos onde a splataformas apresentem restrições para a instalação dos sistemas convencionais.A tecnologia já está sendo utilizada no campode Albacora, na Bacia de Campos.Os três sistemas de Albacora serão interligados à P-25 e injetarão 16.500m3/dia de água em sete poços, atingindo 80% de toda a injeção no campo. Bombas instaladas no subsolo marinho injetam água do mar diretamente nos poços sem passar pela plataforma e com um tratamento mínimo. A água é captada a 100 metros do leito marinho,passa por um filtro pela bomba,recebe injeção de nitrato e segue para as árvores de natal para injeção nos poços.

Fonte:ANP

UniSantos investe para receber verba da cláusula

Uma das 25 instituições credenciadas pela Agência Nacional de Petróleo (ANP) para receber recursos da cláusula de Pesquisa & Desenvolvimento (P&D),aUniSantosdisputaessasverbas por meio do Instituto de Pesquisa Científica e Tecnológica(Ipeci).

A ANP dividiu as instituições credenciadas por blocos de pesquisa. O Ipeci da UniSantos é acompanhado pelo Grupo de Eletroquímica Aplicada da Universidade Federal do Paraná, Laboratório de Ensaios. Não Destrutivos e Inspeção da Abendi, do Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer (CTI) e do Instituto de Estudos Avançados(IEAv).

Essas cinco instituições podem obter recursos para estudos nas áreas de Avaliação da Conformidade, Monitoramento e Controle, segundo boletim da própria ANP.

 

A diretora-adjunta do Ipeci, Adriana Florentino de Souza, afirma que a universidade investiu na contratação de professores doutores e com experiência em pesquisa acostumados a trabalhar com agências de fomento, como Capes, CNPq e Fapesp.

Segundo ela, esse investimento deu destaque à universidade no campo da pesquisa e refletiu na qualidade de ensino dos alunos, levando a ANP a credenciar o Ipeci.

A diretora-adjunta diz que o Ipeci pode contemplar suas linhas de pesquisa com as exigidas pela ANP, atuando com biotecnologia, meio ambiente, geofísica e até Direito.

Entretanto, a UniSantos ainda não tem projetos financiados pela cláusula de P&D. Adriana explica que o acesso a esse dinheiro depende do interesse das concessionárias, que são as petrolíferas.

“Para ter acesso é preciso uma concessionária se interessar por nossa linha de pesquisas”. Há ainda um dificultador para isso, que é a exploração ainda incipiente do pré-sal. “Ainda não temos processos a todo vapor na exploração”.

Porém, ela acha que é questão de tempo para os projetos de pesquisas começarem a ser patrocinados pelas gigantes do setor, afinal o credenciamento pela ANP é um tremendo cartão de visitas para a UniSantos.

 

Compartilhe

Este site usa cookies e dados pessoais de acordo com os nossos Termos de Uso e Política de Privacidade e, ao continuar navegando neste site, você declara estar ciente dessas condições.