10 de julho de 2012

Qual foi sua barraca de limonada?

Marcelo Nakagawa - Professor e Coordenador do Centro de Empreendedorismo do Insper

Minha filha já esta pensando em abrir o seu terceiro negócio. O primeiro foi uma loja especializada em laços. Viu na televisão e não teve dúvidas, montou uma igual. Logo se cansou e mudou para uma loja de meias.

Agora está pensando em vender limonadas cor-de-rosa, já que percebeu que teriam um diferencial competitivo diante das comuns.

Aprendeu isto no último livro que ganhou. Nada mal para quem fará 3 anos agora em setembro.

A loja de laços, ela copiou da Minnie. Em um dos capítulos da série A Casa do Mickey, Minnie monta uma loja especializada em laços que ela mesma produz.

Margarida e Clarabela compram laços para a cabeça, Donald e o Pateta compram gravatas de laços borboleta e até o Bafo de Onça vem comprar um laço para a sua tia. Minha filha juntou os laços dos presentes que ganhou e lá foi ela para a sala montar sua loja de laços. Vendeu algumas para os pais e outras para os avós.

Brincou um pouco e depois se cansou. Mas dias depois, teve a ideia de montar uma loja só de meias. Pegou um saquinho onde estão todas as suas meias e as esparramou na cama, organizando cuidadosamente por pares. Era sua loja de meias.

Mas o negócio só durou meia hora. Algum tempo depois, já estava entretida com seus livros. Um dos que a instigam agora é o da Olívia, uma simpática porquinha criada pelo desenhista Ian Falconer.

Neste livro, Olívia decide criar uma barraca de limonada, algo folclórico na cultura americana, e se associa ao seu irmão. Montam a barraca na frente de casa, mas fracassam porque Francine, sua melhor amiga, tinha uma barraca semelhante do outro lado da rua.

E, para a decepção de Olivia, Francine estava vendendo muito porque tinha um diferencial: sua limonada era cor-de-rosa. Minha filha ficou maravilhada.

Só conhecia as limonadas normais. Mas um pedacinho de beterraba batido com a limonada, logo ela estava toda feliz saboreando sua pink lemonade, como ela mesma diz.

Mas ela não foi a primeira e nem será a última a pensar na barraquinha de limonada. Ainda jovem, Salim Mattar pediu uma bicicleta e ganhou dois sacos de laranja. Foi ao estádio da cidade, começou a descascar as laranjas e vendê-las aos torcedores.

No final do dia, Mattar tinha dinheiro para comprar a bicicleta e o que mais quisesse. Anos depois, fundou a Localiza Rent a Car.

Thomas Edison vendia balas e jornais nos trens que passavam pela sua cidade. Entre uma viagem e outra, conheceu o telégrafo e percebeu que poderia aproveitar as notícias criando o seu próprio jornal. Era a primeira das 17 empresas que fundaria até chegar na General Eletric.

Ainda criança, Henry Ford tinha um hobby, consertar relógios, que virou seu primeiro negócio. Nascia ali sua paixão pela mecânica que anos depois se tornaria a Ford Motor Company, que fabricava automóveis que funcionavam... como um relógio.

Na infância, Michael Dell criou um negócio de trocas de selos, mas só ganhou dinheiro mesmo quando começou a vender jornais em Houston, sua cidade natal, ainda quando estava no colégio.

Descobriu que havia um perfil ideal de comprador de assinaturas de jornal: o marido com esposa grávida. Você vai ficar nove meses sem fazer nada, dizia ele. É melhor se entreter lendo o jornal... Anos depois, Michael fundou a Dell Computer.

No final do ano, minha filha vai ganhar companhia. E eu, bom... passei a ler muito mais jornais!

----------------------------------------------------

Marcelo Nakagawa é Professor e coordenador do Centro de Empreendedorismo do Insper

Fonte: Brasil Econômico - 10/7/2012

Compartilhe

Este site usa cookies e dados pessoais de acordo com os nossos Termos de Uso e Política de Privacidade e, ao continuar navegando neste site, você declara estar ciente dessas condições.