Fonte: www.veja.abril.com.br - 12/01/2015 - 13h37
# Ministro da Casa Civil, chamado de 'inimigo' pela senadora, não quis comentar declarações da petista. Nove colegas de governo compareceram à cerimônia
No dia seguinte à entrevista em que a senadora Marta Suplicy (PT-SP) atacou a primeira passagem de Juca Ferreira no Ministério da Cultura e fez duras críticas à presidente Dilma Rousseff e ao PT, uma tropa de ministros compareceu nesta segunda-feira à cerimônia de posse de Juca, reconduzido ao cargo no segundo mandato de Dilma. Em demonstração de apoio ao colega, assistiram ao evento o ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante e o ministro da Secretária-Geral da Presidência, Miguel Rossetto, além de outros sete membros da Esplanada.
Mercadante disse que o novo ministro da Cultura possui uma "bela história" em defesa da área e evitou rebater as declarações de Marta Suplicy. Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, publicada neste domingo, a senadora disse que Mercadante é "inimigo do Lula" e "candidatíssimo" a presidente em 2018, mas "vai ter contra si a arrogância e o autoritarismo". "Não vou falar sobre esse assunto", desconversou Mercadante, ao ser indagado por repórteres sobre as declarações de Marta, depois da solenidade de transmissão de cargo no Ministério da Cultura.
Questionado sobre o retorno de Juca Ferreira ao comando da pasta, Mercadante afirmou que o novo ministro fez um "belíssimo pronunciamento" e possui uma "bela história em defesa da cultura". "O discurso dele (Juca) fala tudo", comentou Mercadante.
Um dos ministros mais próximos de Dilma, Rossetto não quis comentar o teor da entrevista de Marta. "Não vou falar sobre o assunto", disse. Ele apenas elogiou Juca, a quem chamou de "excelente ministro" e "grande companheiro de governo". "Há uma confiança enorme num mandato inovador, aberto, valorizando a cultura brasileira", afirmou.
Os outros ministros que assistiram à posse de Juca Ferreira foram Aldo Rebelo (Ciência e Tecnologia), Nilma Lino Gomes (Igualdade Racial), Eleonora Meneccuci (Mulheres), Arhtur Chioro (Saúde), Tereza Campello (Desenvolvimento Social), Vinícius Lage (Turismo) e Carlos Gabas (Previdência).
Presentes à cerimônia, os deputados petistas Jorge Bittar e Alessandro Molon, ambos do Rio de Janeiro, criticaram as declarações da senadora. Bittar afirmou que a entrevista é "um desastre total". "As críticas que ela (Marta) faz têm muito mais a ver com a sucessão paulistana do que com os grandes temas nacionais", disse. "Isso nos cria um problema grave pela dimensão que ela tem".
Na entrevista, Marta chama Mercadante de "inimigo do Lula" e diz que Falcão traiu o partido. Ela também acusa Juca Ferreira, seu sucessor na pasta da Cultura, de ter promovido "desmandos e irregularidades" quando comandou o ministério pela primeira vez.
Dentro do PT, o gesto de Marta foi interpretado como uma sinalização clara de que ela pretende deixar a legenda para se candidatar à prefeitura de São Paulo em 2016. Sobre o tema, Bittar avaliou que a saída de Marta não é "inevitável", embora os "fatos sejam muito graves". "Espero que se possa contornar", disse. Para Molon, o diretório nacional do PT deveria tomar uma posição oficial em relação ao "fogo amigo" de Marta. "É importante que seja uma posição do partido, para que não sejam posições individuais", defendeu. Ele avaliou ainda que a recondução de Juca ao cargo é "um reconhecimento dos grandes avanços" alcançados quando ele foi ministro pela primeira vez.