Fonte: Jornal GGN - 20/8/2014 - 12h13
Felipe Alves
JORNAL GGN - A construção naval mundial passou por um ciclo de expansão entre 2001 e 2012. Segundo dados da UNCTAD (Review of Maritime Transports), em 2001 foram entregues pouco mais de 40 milhões de navios, já em 2012 a produção subiu para 135 milhões e o faturamento alcançou os US$ 185 bilhões.
O diretor do Centro de Tecnologia Mecânica, Naval e Elétrica do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), James Weiss, que participou do 48º Fórum Brasilianas.org “Industria Naval” ressaltou que nestes números não são considerados: a construção naval de uso militar; a construção de plataforma e sondas offshore e embarcações abaixo de 100 GT. No gráfico abaixo é possível observar o crescimento na produção a partir dos anos 80.
Entre os fatores determinantes para induzir a demanda mundial, o diretor citou o crescimento do comércio internacional, o envelhecimento da frota mundial e a expansão das atividades de exploração de petróleo no mar em todos os continentes. Weiss apontou ainda que a evolução da carga total transportada pelo mundo está relacionada com a alta do PIB mundial.
”Percebam que o mundo crescia de maneira bastante acelerada, até 2008 quando acontece a crise nos EUA e depois se espalha por outros países, gerando uma queda na demanda e nos preços do transporte.”
A relevância do Brasil nesta indústria mundial ainda é pequena, porém alguns avanços já foram sentidos, como o aumento significativo no volume de encomendas. Segundo dados do Promef (Programa de Modernização e Expansão da Frota), em 2014 foram investidos R$ 11,2 bilhões para a construção de 49 navios e 20 comboios hidroviários. Além disso os estaleiros brasileiros empregam diretamente 78 mil pessoas e geram mais de 300 mil empregos na rede de fornecedores de equipamentos e serviços.
Para Weiss, um dos principais desafios para o crescimento do setor no Brasil é desenvolver um projeto naval, pois esta medida é condição essencial para a inovação e para que os produtores tenham controle as aquisições de máquinas, equipamentos marítimos e materiais.
O diretor-executivo comercial do Bureau Veritas Brasilos, Sergio de Albuquerque e Mello, que também participou do debate, chamou atenção que no Brasil não existe a tradição de trocar informações, compartilhar ideias, riscos e custos em projetos comuns. Segundo ele os atores da indústria não se falam entre si aqui no país.
Pensando na possibilidade de estabelecer uma maior troca de informações entre as indústrias, foi criado em 2011 o Comitê Offshore para Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (Copedi), cujo objetivo é trabalhar de maneira integrada, para desenvolver estudos e projetos de alta tecnologia.
Sérgio Mello contou que atualmente o comitê possui 33 membros, entre empresas e centros de pesquisas ligados à indústria offshore e organiza regularmente seminários técnicos para debater temas importantes para o desenvolvimento do setor no Brasil.
A reunião discute as principais linhas de P&D para atender o desenvolvimento do setor Offshore no Brasil, compartilhar experiências quanto aos projetos de pesquisa em andamento ou a iniciar e oferecer espaço para a exposição dos desafios tecnológicos enfrentados.