04 de junho de 2013

Produtividade já

Octávio Costa - Chefe de redação do Brasil Econômico

Pela terceira semana seguida, a pesquisa Focus, do Banco Central com economistas das principais instituições financeiras do país, apontou queda na previsão para o crescimento da economia neste ano.

Dos 2,93% da semana passada, o número baixou novamente para 2,77%, uma guinada muito forte em apenas 7 dias. O motivo foi não apenas o PIB fraco do primeiro trimestres, mas também a elevação da taxa de juros básica que, segundo o mercado, deve chegar a dezembro em torno de 8,5%.

Maior banco privado do país, o Itaú tratou de rever suas projeções para a expansão do PIB de 2,8% para 2,4%. A conta para o ano que vem foi refeita de 3,3% para 2,8%. E o Bradesco já está trabalhando com algo entre 2% e 2,5%.

A economia brasileira vai crescer, sem dúvida, mais do que o inexpressivo ganho de 0,9% do ano passado, mas ficará muito longe das previsões otimistas de 3,5% feitas em janeiro. Até o mesmo o ministro da Fazenda, Guido Mantega, viu-se obrigado a mandar refazer os cálculos oficiais.

Na visão do Itaú, o fator que mais pesa contra um resultado melhor é o consumo das famílias. Se antes a força do mercado interno contribuiu para que o Brasil navegasse ao largo da crise internacional, agora o consumo das famílias cedeu. Subiu apenas 0,1% de janeiro a março, em parte por causa da inflação.

Segundo Aurelio Bicalho, economista do Itaú, a perda de fôlego do consumo foi "mais intensa do que o esperado". E refletiu, além da diminuição dos efeitos das desonerações tributárias sobre veículos, a desaceleração da massa de salário real.

Cada instituição interpreta a conjuntura do seu modo, mas as análises convergem num ponto: o péssimo desempenho da indústria nacional, que teve retração de 0,3% no primeiro trimestre.
Essa tendência é consistente e não deve mudar nos próximos meses. Ontem mesmo, pesquisa do HSBC com gerentes de compras mostrou que a atividade do setor industrial recuou pelo quarto mês consecutivo, atingindo o menor nível nos últimos sete meses.

O indicador (PMI, na sigla em inglês), que leva em conta produção, empregos, encomendas e preços, baixou de 50,8 em abril para 50,4 em maio. Foram consultadas 400 empresas. "A atividade econômica no setor industrial quase parou de se expandir", diz o economista-chefe do HSBC, Andre Loes.

O IBGE divulgará hoje levantamento oficial sobre a produção industrial em abril. As previsões não são otimistas. O número deve ser positivo, mas nada que entusiasme. O problema da indústria é estrutural.

Bem explicou Octavio de Barros, diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco, na edição de ontem, que a indústria está enfrentando aumento brutal dos custos, principalmente salariais, e não consegue repassá-los.

Como os salários não vão ser achatados, só há uma saída para o setor: aumentar a produtividade. Isso significa cortar custos onde for possível e, ao mesmo tempo, aumentar os investimentos em automação e na formação de profissionais.

Vale a pena ler de novo a advertência de Octavio de Barros: o desafio do crescimento sem inflação só será ultrapassado se o Brasil fizer um esforço coletivo nacional de aumento de produtividade e eficiência.

Octávio Costa é chefe de redação do Brasil Econômico

Fonte: Brasil Econômico / 4/6/2013

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