02 de julho de 2015

Preparar o sucessor é fundamental para perpetuar negócios em ambiente familiar

Fonte: iG - http://www.ig.com.br/ - 2/7/2015 - 6h00

Por iG São Paulo , Rodrigo Boro |

# Antes de passar o bastão, empresas familiares devem preparar as próximas gerações e profissionalizar a gestão

Preparar um sucessor é fundamental para a continuação de um negócio familiar. Um estudo recente divulgado pelo Sebrae apontou que, apesar da maioria das empresas brasileiras nascerem em ambiente familiar, somente 33% conseguem chegar à segunda geração e 5% sobrevivem à terceira geração.

Gustavo Wrengler, terceira geração da Ortocir, que atua no ramo hospitalar há 50 anos, explica que o momento de passar o bastão é muito importante para uma empresa familiar. “Essa etapa tem de ser feita de maneira profissional e menos traumatizante o possível para que os negócios não sejam prejudicados”.

Wrengler explica que apesar de ser prazeroso trabalhar perto da família, o lado emocional muitas vezes ganha uma importância maior do que o profissional. “Uma das coisas mais importantes é separar o negócio da família, e vice-versa, e não deixar que questões que acontecem num desses ambientes afetem o outro”.

O executivo cita como outros obstáculos o espaço entre as gerações e o aumento de membros familiares, o que cria conflito entre os herdeiros. “Antes de vir trabalhar na Ortocir, eu fiquei três anos numa multinacional do ramo automobilístico. Isso fez com que eu visse a importância da governança corporativa, com processos bem definidos, algo difícil dentro de um ambiente familiar que tende a ser mais informal”.

O relatório “Empresa familiar – O desafio da governança”, realizado pela consultoria PWC, conta que quanto mais a família aumenta, maior é a probabilidade de que existam pessoas que nunca trabalharam no negócio e que esperam receber seus dividendos, o que pode causar tensões.

Isso faz com que muitas empresas transfiram, no papel, o cargo de CEO para a próxima geração, mas deixam o poder de decisões ainda com a geração antiga. Ou até mesmo torne a sucessão um tema tabu, fazendo com que empresas atrasem ao máximo essa discussão.

No caso da Otocir, para evitar que questões emocionais atrapalhassem o desenvolvimento dessa etapa ou até mesmo afetassem o convívio familiar, Wrengler contratou uma consultoria para ajudar na sucessão e profissionalização da empresa. “A consultoria tem ajudado a avaliar a situação da empresa e levantar dados que irão auxiliar a tomada de decisões e governança”. Uma das questões é viabilizar um processo para os próximos herdeiros que assumirão a empresa. “Com o aumento da família, é importante ter ferramentas que informatizem o papel das próximas gerações na empresa”.

O relatório da PWC indicou ainda que a profissionalização da nova geração tem ajudado na hora da sucessão. De acordo com os participantes entrevistados, apenas 7% saíram direto dos estudos para entrar na empresa, enquanto que 55% passaram por um programa de desenvolvimento profissional e 46% passaram por outras empresas antes de entrar na organização familiar. Porém esse mesmo estudo indicou que, de acordo com a próxima geração, os maiores desafios são entender a complexidade do negócio, ser convocado a assumir um cargo na qual não se sentem capazes ou assumir responsabilidade muito cedo.

Esses desafios têm feito com que muitas famílias escolham vender suas empresas ou transferir a propriedade, mas não a gestão, para seus sucessores. No ano passado, no Brasil, o número de empresas que declararam pretender passar a propriedade mas não a administração para herdeiros foi de 59%, e os que planejam vender ou abrir capital foi de 19%.

Porém, mesmo com a gestão terceirizada, a família ainda tem responsabilidades como acionistas. Uma delas é exigir a prestação de contas pelo desempenho e acompanhar de perto as estratégias, operações e objetivos, participanto ativamente dessas decisões. Além disso, os herdeiros devem proteger os princípios que sempre nortearam a empresa.

“Esse carinho e dedicação é o que torna as empresas familiares tão bem sucedidas por tanto tempo. O desafio maior da minha geração é fazer com que elas fiquem mais profissionais em sua gestão, incentivando a inovação e eficácia do negócio, sem perder as características e valores que sempre nortearam a empresa”, avalia Wrengler, com total conhecimento de causa.

Compartilhe

Este site usa cookies e dados pessoais de acordo com os nossos Termos de Uso e Política de Privacidade e, ao continuar navegando neste site, você declara estar ciente dessas condições.