Fonte: A Tribuna - 13/3/2014, quinta-feira, página A-2, Opinião, Editorial
A descoberta de gigantescas reservas de petróleo e gás na camada pré-sal da Bacia de Santos a partir de 2006, com a subsequente escolha da cidade de Santos para sediar a Unidade de Negócios de Exploração e Produção da Bacia, trouxe a expectativa de uma nova fase de desenvolvimento regional.
A Baixada Santista, cujos eixos de crescimento eram o Porto de Santos (impulsionado primeiro pelas exportações e negócios do café), o parque industrial de Cubatão e atividades de veraneio e turismo, atravessava crise ao final do século 20, com estagnação econômica, além da perda de investimentos e de empregos. A Lei de Modernização Portuária, e o rearranjo na operação do Porto, com a presença de empresas privadas, trouxe nova perspectiva para essas atividades que tiveram forte avanço, percebido pelo incremento da movimentação de cargas, que triplicou em menos de 20 anos.
Mas a exploração e produção de petróleo e gás na Bacia de Santos, enorme área que compreende 352.000 km2, com anúncios sucessivos de novas descobertas, todas promissoras, deu novo alento à região.
Tratava-se de nova atividade, inédita até então, que oferecia grandes possibilidades de desenvolvimento.
Houve certo exagero quanto aos resultados imediatos. Produção de petróleo, especialmente nas condições e dificuldades que existem na camada pré-sal (a mais de 5.000 m de profundidade), envolvendo investimentos colossais, e sujeita ainda a contingências do mercado internacional, não é feita do dia para a noite. Entretanto, gerou-se a expectativa de que os negócios se multiplicariam na região rapidamente, com a vinda de empresas do setor, além da Petrobras.
O mercado imobiliário foi o mais visado. Lançamentos foram feitos com a promessa de ganhos e oportunidades trazidas pelo pré-sal, notadamente no segmento corporativo, com a construção de vários edifícios de escritórios. Em pouco tempo, a euforia inicial foi substituída por certo ceticismo, também exagerado.
A produção de petróleo e gás na Bacia de Santos já é um fato, e crescerá nos próximos anos. A primeira torre da sede administrativa da Petrobras em Santos está quase concluída, e deverá entrar em funcionamento no segundo semestre de 2014. E isso vai trazer, com certeza, prestadores de serviços da empresa petrolífera, gerando dois a três empregos para cada funcionário da Petrobras.
É chegada, finalmente, a hora da realidade. O gerente geral da atual Unidade de Operações de Exploração e Produção da Bacia de Santos, Osvaldo Kawakami, confirmou a contratação de base off shore no Porto para manutenção de embarcações, e alerta para as necessidades de curto prazo para o bairro do Valongo, onde está a nova sede da Petrobras, com vários serviços essenciais.
As oportunidades começam a surgir. Cabe ao empresariado local saber aproveitá-las.
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