01 de abril de 2014

PF desmantela tráfico pelo Porto

Fonte: A Tribuna - 1.º/4/2014, página A-11, Polícia

# Vinte e três pessoas foram presas e 3,7 toneladas de cocaína recolhidas nas apurações; droga ia de Santos para Europa, África e Cuba

DA REDAÇÃO

A Polícia Federal (PF) divulgou ontem o desmantelamento de duas quadrilhas ligadas ao narcotráfico internacional que utilizavam o Porto de Santos para enviar cocaína para Europa, África e Cuba. Desde maio de 2013, as organizações criminosas tiveram apreendidas 3,7 toneladas de cocaína. Operação deflagrada ontem nos estados de São Paulo, Mato Grosso do Sul e Paraná resultou nas prisões de 23 acusados de integrar os bandos.

Oito capturas ocorreram na Baixada Santista.

Os nomes dos presos ou os seus ramos de atividade não foram divulgados pelos delegados Ivo Roberto Costa da Silva e Reinaldo Campos Sperandio, respectivamente, chefe do Departamento de Repressão a Entorpecentes (DRE) da PF em São Paulo e diretor da Delegacia da PF em Santos.

Porém, eles destacaram que os presos eram incumbidos da logística empregada na importação da cocaína, procedente da Bolívia, até ela ser embarcada em navios no porto santista.

A droga ingressava no território nacional por via terrestre, pela fronteira com o Paraguai. Até ser acondicionada em malas ou mochilas, que depois eram introduzidas em contêineres com os mais variados tipos de carga, a cocaína ficava estocada em São Paulo.

Oprocesso logístico só terminava após os traficantes receberem “dados privilegiados”, afirmou Ivo da Silva.

Conforme o chefe da DRE, esses dados estão relacionados com os contêineres. A identificação dos cofres de carga, por extensão, possibilita saber por quais portos os navios que os transportarão farão escala até chegarem ao destino final.

INVESTIGAÇÃO AUTÔNOMA

No último dia 20, houve o desbaratamento de outra rota do narcotráfico internacional que usava o Porto de Santos. As investigações começaram na Itália e, durante o seu curso, contaram com a cooperação da PF brasileira.

Nesse esquema, a cocaína, oriunda do Peru e da Colômbia, era enviada a diversos portos da Europa. A operação era controlada pela ’Ndrangheta – máfia da Calábria, ao sul da Itália, mas com tentáculos espalhados pelo mundo.

O chileno Tomasin Rivera Milan Rayco, morador em Praia Grande, era o homem de confiança da máfia calabresa no Brasil. Além dele, mais três pessoas foram presas na Baixada Santista.

Na Espanha, houve a captura da brasileira Maria de Fátima Stocker, apontada como braço financeiro da ’Ndrangheta, porque realizava os pagamentos dos lotes de cocaína comprados pela máfia.

As investigações sobre as atividades da máfia calabresa no Porto de Santos foram batizadas de operações Monte Pollino e Bongustaio, respectivamente, no Brasil e na Itália. Elas não têm ligação com a conexão desarticulada ontem, frisaram os delegados Sperandio e Ivo da Silva.

Operações Hulk e Oversea são os nomes das investigações realizadas pela DRE de São Paulo e pela PF em Santos, respectivamente. Começaram de forma isolada, mas se fundiram ao se constatar a ligação entre averiguados de ambas as apurações.

PROCURADOS

A Polícia Federal não divulgou a identidade dos presos, mas diz serem estes os 11 foragidos:

>>André Oliveira Macedo

>>Carlos Miguel Pina de Castro e Silva

>>Diogo de Souza Marques

>>Ednilson Rodrigues Caires

>>Rolin Gonzalo Parada Gutierrez

>>Gilcimar de Abreu

>>Gilmar Flores

>>Jefferson Moreira da Silva

>>Luciano Hermenegildo Pereira

>>Márcio Henrique Garcia Santos

>>Wagner Vicente de Liro

PORTUGUÊS RECRUTAVA OS 'MOCHILEIROS'

Entre os 23 homens presos ontem está a peça chave do esquema criminoso. “Ele é o agenciador das pessoas que colocavam as mochilas com cocaína nos contêineres”, disse Ivo da Silva, chefe da DRE. Sobre o líder do esquema, o delegado informou que ele é português e está sendo procurado pela polícia daquele país.

O recrutador não possui empresa, mas “bons contatos”, explicou o chefe da DRE. Por meio dele, as investigações da PF tentarão identificar e prender as pessoas que eram corrompidas para introduzir a cocaína nos cofres de carga.

Os cooptados colocavam a droga no contêiner antes de ele ser lacrado. Nas malas com cocaína, eles deixavam lacres clonados para serem usados nos portos estrangeiros onde ocorria a retirada do tóxico. Assim, não ficavam vestígios da abertura indevida do cofre de carga, porque ele era relacrado.

O delegado Reinaldo Sperandio, da PF em Santos, fez questão de frisar a ausência de indícios, até o momento, de eventual participação dos terminais privados por onde passavam os contêineres antes do seu embarque em navios.

Chamados de Recintos Alfandegários de Exportação (Redex), “esses terminais são locais muito grandes, o que favorece a ação dos criminosos, sem isso representar necessariamente falha de fiscalização desses estabelecimentos”.

Para o delegado da PF em Santos, deve-se apurar se funcionários dos terminais ou de empresas terceirizadas eram incumbidos de introduzir o entorpecente nos contêineres.

TRÁFICO DE ARMAS

Além de enviar cocaína para o Exterior, os bandos investigados pelas operações Hulk e Oversea são acusados de traficar armamentos para uma facção criminosa de São Paulo. Durante as investigações, a Polícia Federal apreendeu com integrantes das quadrilhas dois fuzis e 19 armas curtas, como pistolas e revólveres.

Mais de dez veículos de luxo, uma embarcação e vultosas quantias em reais, dólares e euros também foram recolhidos.

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