Fonte: DCI - 3/7/2014 - 0h00
SÃO PAULO - Concessionárias apostam na tecnologia para reduzir perdas e aumentar a eficiência
Érico Luiz
SÃO PAULO - Inovar para reduzir perdas e ser mais eficiente está na ordem do dia de um grupo de concessionárias do setor de saneamento. Em Campo Grande (MS), a Águas Guariroba, integrante da Aegea, que comanda cerca de 30 concessões no país, inova ao ser a pioneira no Brasil na adoção do sistema israelense TaKaDu. Ele permite monitorar remotamente problemas na rede pública, como queda ou alta de pressão, entre outros. Além do Brasil, sete países usam o sistema, no qual a Aegea investirá R$ 2 milhões.
"Fomos no ano passado a Israel conhecer novas tecnologias e estamos vendo isso como uma nova fronteira tecnológica", afirma Radamés Casseb, diretor de operações da Aegea. O sistema capta sinais dos sensores espalhados pelos quatro mil quilômetros da rede de Campo Grande, permitindo avaliar nível dos reservatórios, volume, pressão, consumo. Estas informações possibilitarão reduzir perdas e diminuir as despesas com energia elétrica, que respondem por 25% dos custos de uma concessionária.
Não é um caso isolado. Desde 1996, a Sabesp trabalhava para viabilizar uma área para cuidar exclusivamente da pesquisa e do desenvolvimento tecnológico da companhia. O passo decisivo para a estruturação desta área foi dado em 2009, quando foi assinado um contrato com o Laboratório de Estudos sobre Organização da Pesquisa e da Inovação (Geopi), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). A parceria ajudou a definir qual é a estrutura mais adequada para o a concessionária. Com base no estudo, foi criada a Superintendência de Pesquisa, Desenvolvimento Tecnológico e Inovação, em 2010.
Atualmente, o departamento conta com o trabalho de 23 profissionais. Destes, 22 possuem nível superior e pós-graduação na área. A Superintendência é totalmente focada em pesquisa, desenvolvimento e inovação. "Mas esta é apenas uma parte do trabalho realizado pela Sabesp nesse sentido. Todas as unidades de negócio da companhia desenvolvem tecnologias inovadoras com base nas necessidades operacionais identificadas no dia a dia de suas atividades", destaca Américo Sampaio, superintendente de Inovação.
Um exemplo é o projeto criado na Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) de Franca, em parceria com a instituição alemã Fraunhofer, que ganhou destaque nacional e internacional. A iniciativa consiste na purificação do biogás gerado pelo tratamento dos esgotos. O biogás é processado e, posteriormente, utilizado como combustível para veículos da frota da Sabesp da região de Franca. A iniciativa reduz os gastos com o abastecimento dos veículos e traz um benefício adicional: a redução da emissão de poluentes. A segunda etapa do projeto prevê a implantação de um gerador de energia elétrica movida a biogás excedente, e a utilização da energia na ETE.
Mais um exemplo de tecnologia aplicada ao dia a dia das atividades da companhia é o laboratório de hidrômetros, especializado na recuperação e inspeção de medidores. Mensalmente, a unidade emite 1,5 mil laudos técnicos, restaura 4 mil medidores e inspeciona outros 100 mil hidrômetros. A unidade é posto de ensaio autorizado do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) desde 2008.
A empresa criou novos processos. Um deles é o biofiltro para tratamento de odor dos esgotos. A tecnologia consiste em um meio filtrante que recebe o ar com mau cheiro gerado nas estações elevatórias e de tratamento de esgotos. Ali, o gás sulfídrico, principal responsável pelo odor ruim, é degradado de forma biológica e perde sua característica agressiva às narinas.
A invenção é simples: dentro de um contêiner é colocada turfa (uma mistura vegetal), composta principalmente por restos de casca de coco. Essa mistura é umidificada por pequenos chuveiros instalados dentro do contêiner.
A umidificação da mistura cria condições favoráveis para o desenvolvimento de bactérias que funcionam como filtros biológicos, degradando o gás sulfídrico. O transporte do ar com mau cheiro é feito por dutos. A Sabesp testou a tecnologia em um protótipo na Estação de Tratamento de Esgotos São Miguel ao longo de 18 meses e obteve bons resultados. A partir da experiência com o protótipo, está sendo elaborado um projeto para o tratamento dos gases de duas grandes estações elevatórias de esgoto do município de São Paulo, minimizando os incômodos causados à população pelo odor de esgoto.