16 de abril de 2013

Pequenas e médias empresas são fundamentais no setor petrolífero

# Atuação deve ganhar atenção do governo, segundo Geraldo Queiroz, superintendente da RedePetro Bahia

Brasil Econômico - André Pires

Quando se pensa em exploração de petróleo no Brasil é inevitável pensar na Petrobras. No entanto, o setor de petróleo e gás também depende da atuação de micros, pequenas e médias empresas na cadeia produtiva. E este papel precisa ganhar atenção do governo brasileiro, segundo Geraldo Queiroz, superintendente da RedePetro Bahia, uma associação das empresas fornecedoras de bens e serviços para a a área de petróleo e gás no estado baiano.

“A própria legislação brasileira é totalmente concentradora, dificultando o trabalho das micros e pequenas empresas no setor. Existem regras que chegam a ser desrespeitosas. Não podemos tratar uma pequena empresa igual a uma grande empresa, são realidades completamente diferentes”, critica Queiroz.

O Ministério de Minas e Energia tem procurado olhar com mais atenção para a atuação das PMEs no setor. Em fevereiro deste ano, o governo publicou uma série de diretrizes para aumentar a participação deste grupo nas atividades de exploração e desenvolvimento de produção de petróleo e gás natural. Entre as principais medidas estão a realização de rodadas de licitações anuais pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) com oferta de blocos em bacias maduras e de áreas inativas com acumulações marginais.

“Hoje no Brasil existe uma grande concentração nas mãos das grandes empresas. O que o governo não percebeu é que fica, como gosto de chamar, uma porosidade que seria melhor atendida pelas médias e pequenas. Poderíamos ter inúmeros produtores. Uma alternativa seria nos aproximar do modelo americano. Lá existem inúmeras empresas familiares que exploram petróleo. Basta ter uma fazenda e explorar. Pode produzir um, dois, dez barris de petróleo. Mas ao somar tudo, aumenta a capacidade de produção”, analisa Queiroz, considerando este modelo inviável atualmente. “Vivemos de uma política concentradora”, completa.

A prova da capacidade de exploração das pequenas e médias é que 40% da produção norte-americana é proveniente das PMEs. Além da possibilidade deste grupo atuar como potenciais fornecedores nos próximos anos, Queiroz vislumbra outros papéis fundamentais desempenhados por este grupo.

Para os mais pessimistas, que acreditam que a concentração nas mãos das grandes empresas é inevitável e que as pequenas vão ser suprimidas, o superintendente da RedePetro BA avisa. “As pequenas e médias vão continuar a existir porque elas acabam sendo subcontratadas. Os estudiosos podem discordar, mas a parte operacional sabe da sua necessidade”, afirma.

Outro papel considerado fundamental para o desenvolvimento do setor é a pesquisa realizada pelos pequenos produtores, que buscam soluções para a realidade de sua produção.

“As pequenas e médias são responsáveis pelas grandes inovações do projeto de exploração por conta de sua leveza organizacional. Para simplificar, o que diferencia nos termos de atuação do mercado é que as pequenas e micros agregam cérebros dos seus empreendedores, enquanto as grandes agregam os cérebros de cientistas. Ou seja, um trabalha com tecnologia e a outra com a ciência”, analisa Queiroz, que considera o trabalho de pesquisa das PMEs complementares aos estudos realizados pelas grandes empresas em seus centros de desenvolvimento. “As grandes vão constituir seu centro de pesquisas voltados para fora do país”, disse.

Seminário

Este desempenho das pequenas e médias empresas no setor de petróleo e gás será debatido no próximo dia 23 de abril, em Salvador, no seminário “futuros Fornecedores Petrobras - a preparação para 2020”, realizado pelo grupo Ejesa, por meio dos jornais BRASIL ECONÔMICO e O Dia, junto com diversos temas fundamentais para qualificar e garantir a competitividade no setor de petróleo e gás. Estão confirmadas a participação de integrantes da Secretaria da Indústria, Comércio e Mineração do estado da Bahia, representantes da Petrobras, além de Geraldo Queiroz, da RedePetro Bahia.

As inscrições são gratuitas e devem ser feitas até o dia 22 de abril, às 14 horas. As vagas são limitadas.

Fonte: iG - 16/4/2013


 

Compartilhe

Este site usa cookies e dados pessoais de acordo com os nossos Termos de Uso e Política de Privacidade e, ao continuar navegando neste site, você declara estar ciente dessas condições.