19 de outubro de 2012

Pelo "Progressivismo"

Paulo Rabello de Castro - Presidente do conselho de economia da Fecomercio e do Lide Economia

O visível empobrecimento de largas camadas da população nas sociedades mais afetadas pela Grande Recessão tem inspirado até segmentos tidos como conservadores a colocar na mesa propostas para combater a crescente desigualdade de rendas nesses países. Lembrando: a desigualdade não é só um fenômeno da crise financeira nas economias avançadas.

Também se detectam fossos de renda entre mais ricos e mais pobres em nações emergentes e vibrantes como China e Índia. A exceção à crescente desigualdade de rendas no mundo parece ocorrer na América Latina.

A importante revista britânica The Economist detectou o problema e, no editorial desta semana, arrisca uma direção de solução, palatável à esquerda e à direita do espectro político, chamada de Progressivismo.

O editorial adverte que o Progressivismo não é um conceito novo e, tampouco, deixaram de existir, no passado, manifestações desta corrente política e social, como o New Deal, de F. D. Roosevelt, ou o People's Budget, de Lloyd George.

Foram, então, ideias novas e ousadas, trazidas por líderes atrevidos diante de nações carentes de propostas arrojadas. Por trás de ideias aparentemente originais, entretanto, a velha e boa substância delas era apenas o bom-senso econômico e a fagulha da oportunidade política de agir.

Com o Progressivismo "pra valer" nasceu o imposto de renda universal e progressivo, uma rede social previdenciária, a escola pública universal de qualidade, e as frentes de trabalho para enfrentar situações de alto desemprego.

Se a Economist fosse uma revista brasileira, teria incluído na lista de iniciativas progressivistas o "Bolsa Escola" (que virou Bolsa Família), o Luz para Todos, também o Brasil Carinhoso, bem como outros bons programas de redução de desigualdades.

Ao arriscar um pacote de iniciativas de feição progressivista adaptado ao mundo atual, o editorial do Economist aponta, de saída, os focos mais óbvios de geração de desigualdades crescentes, tanto em países maduros como emergentes: o papel invertido do Estado, quando protege os mais ricos à custa do povão, com bem disfarçados subsídios e deduções de impostos, ou através de monopólios privados ou estatais (a falta de concorrência sempre gera desigualdade!) ou, ainda, por prover educação de má qualidade aos jovens, impedindo sua mobilidade efetiva na escala de rendas.

E, nessa toada, a receita progressivista do editorial da revista é na direção de uma reforma de impostos, que os torne de fato progressivos, menos por alíquotas exageradas e mais por aplicação efetiva de alíquotas módicas à totalidade da renda de cada um.

O Progressivismo proposto pelo Economist é um momento de rara coragem e lucidez num mar de mesmices do pensamento econômico publicado no mundo.

Mais do que apenas um meio termo entre esquerda e direita, o Progressivismo foca no que é essencial: qualquer sociedade só será boa se o for para a grande maioria, e se forem dadas chances de os empreendedores gerarem o progresso que pagará a conta das verbas sociais ao final do dia.

Este é o justo equilíbrio que está hoje faltando em nível mundial. E o Brasil está longe do verdadeiro Progressivismo, mesmo com os avanços recentes.

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Paulo Rabello de Castro é presidente do conselho de economia da Fecomercio e do Lide Economia

Fonte: Brasil Econômico - 19/10/2012

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