15 de janeiro de 2014

Para presidente da Cooxupé, “preços do café atingiram o fundo do poço”

Fonte: Jornal do Sudoeste - 15/1/2014 - 23h36

Heloisa Rocha Aguieiras

SÃO SEBASTIÃO DO PARAÍSO

A crise na cafeicultura, com grande agravamento por causa dos preços ainda mais baixos que vêm sendo pagos ao produtor, há mais de dois anos consecutivos, chegando ao patamar de R$ 230 a saca no ano passado, tem gerado discussões entre lideranças do setor, que vêm buscando soluções mais concretas, como o projeto do Pacto do Café, lançado em novembro de 2013.

O presidente da Cooxupé, considerada a maior cooperativa de café do mundo, Carlos Alberto Paulino da Costa, disse com exclusividade ao Jornal do Sudoeste, acreditar que “os preços do café atingiram o fundo do poço”.

Para ele, agora os preços apresentam uma ligeira recuperação, que vem ocorrendo lentamente, mas que está se mantendo. “É difícil dizer até que ponto vai chegar, mas os valores de hoje são melhores que do ano anterior”, pondera Carlos Paulino.

Porém, o presidente da Cooxupé reconhece que o preço de R$ 295 a saca (cotação de quinta-feira, 9) está longe de ser o ideal. “Não quer dizer que este valor atenda às necessidades e aspirações do produtor, mas é um bom indicativo”, diz otimista.

Lideranças do setor também estão aguardando para breve novos desdobramentos do Pacto do Café. Segundo Carlos Paulino, “as propostas do Pacto são necessárias e positivas. Para implementá-las é necessário um longo trabalho político de discussão, pois suas propostas deverão ser analisadas por vários órgãos governamentais”, completa Paulino, que acredita que “por este motivo, é difícil fazer uma avaliação, pois não estamos a par da receptividade dos órgãos envolvidos”.

A previsão de safra

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgou na quinta-feira (10/01) a sua primeira previsão da safra brasileira de café em 2014, que deverá cair para 48,34 milhões de sacas de 60 kg, apontando para uma redução na produção de arábica, variedade que registrava ciclos de crescimento desde 2005.

A faixa de estimativa da Conab ficou entre 46,53 milhões e 50,15 milhões de sacas para a nova safra. Os números representariam uma redução de 5,4 por cento ou um crescimento de 2,02 por cento, respectivamente, na comparação com a produção de 49,15 milhões de sacas do ciclo anterior.

Para o presidente da Cooxupé, a Conab, aproximou os seus números dessa estimativa de outros grandes centros que a previsão de safra de café todos os anos.

“Os números representam um equilíbrio entre o consumo de café e a produção. O que pesa no mercado é que ainda há estoques internacionais. No Brasil, considero a situação mediana”, finalizou.

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