01 de abril de 2014

Os números da energia brasileira

Fonte: http://www.cruzeirodosul.inf.br/ - 1.º/4/2014

# A fonte energética mais utilizada no país - 39,2% do total - é o petróleo, no caso seus derivados como gasolina, diesel, óleo combustível, gás liquefeito de petróleo (GLP) e querosene

Sandro Donnini Mancini

Segundo o Balanço Energético Nacional de 2013, publicado com dados de 2012, e disponível no portal do Ministério das Minas e Energia (www.mme.gov.br), a oferta de energia no Brasil no ano retrasado chegou a um total de 284 milhões de toneladas equivalentes de petróleo (tep). A "tep" é uma unidade energética comumente empregada em análises conjunturais de países. Essa unidade é facilmente convertida em outras relacionadas a consumo de energia, como o quilowatt-hora (kWh). O kWh é uma unidade mais empregada para energia elétrica, inclusive nas contas de luz das nossas casas. Fazendo a conversão, vemos que é como se o Brasil tivesse consumido 3,3 trilhões de kWh, o suficiente para abastecer, de eletricidade, 2,7 bilhões de residências no Brasil, que consomem, em média, cerca de 100 kWh por mês. Se sua casa consome mais ou menos é só ver na conta de luz.

Logo se chega à conclusão, óbvia, que a energia elétrica é apenas um tipo de energia, afinal um país de 190 milhões de pessoas não poderia ter 2,7 bilhões de casas. Soma-se a energia elétrica a energia química de combustíveis como os derivados do petróleo e da cana, além de outras formas de energia (que são transformadas ou não em eletricidade como a eólica e solar etc.). Assim, energia é tudo aquilo que usamos para movimentar motores (como o dos carros) ou ligar equipamentos elétricos/eletrônicos, bem como aquecer ou esfriar coisas, em especial fluidos (sendo água e ar os principais fluidos existentes). Energia também é aquilo que conseguimos dos alimentos e que nos mantém vivos. Nesse caso, a unidade energética comumente empregada é a caloria e seus múltiplos. Porém, essa energia não entra nas contas que estamos comentando aqui.

De acordo com dados da Agência Internacional de Energia (www.iea.org), o mundo inteiro consumiu, em 2010, um total de 12,7 bilhões de tep. Desconsiderando-se a defasagem entre as duas publicações de dois anos, observa-se que 2,2% de toda a energia usada no mundo é utilizada aqui no Brasil.

E como é a divisão da energia no Brasil? O próprio Balanço Energético Nacional detalha que a fonte energética mais utilizada no país -39,2% do total- é o petróleo, no caso seus derivados como gasolina, diesel, óleo combustível, gás liquefeito de petróleo (GLP) e querosene. A segunda fonte energética mais empregada são os derivados da cana (álcool e bagaço), com 15,4%. Em seguida surgem a hidráulica (13,8%, convertida basicamente em eletricidade), o gás natural (11,5%) e lenha/carvão vegetal (9,1%). Completam as fontes energéticas brasileiras o carvão mineral com 5,4%, o urânio (para geração de eletricidade nas usinas nucleares) com 1,5% e outras fontes com 4,1%. Nessas outras fontes, destacam-se principalmente o biodiesel (feito a partir de plantas e até mesmo de gordura animal) e a eólica, mas também se incluem a energia solar e outras biomassas. Biomassa é uma fonte energética constituída de combustíveis advindos da natureza, como advém a cana-de-açúcar, a lenha, soja e mamona (essas duas últimas matérias-primas comuns para a fabricação de biodiesel no Brasil).

O petróleo, gás natural, o carvão mineral e o urânio são fontes esgotáveis, ou seja, há uma quantidade (ainda que grande em alguns casos) finita dessas fontes, de modo que usá-las tende a diminuir paulatinamente suas reservas. Já as outras (derivados da cana, hidráulica, solar, eólica, lenha, biodiesel e outras biomassas) são consideradas renováveis, seja pela abundância (água, vento e sol), seja pela possibilidade de serem novamente plantadas (biomassas em geral). Dessa maneira, a matriz energética brasileira é majoritariamente esgotável (57,6%). A parcela de fontes renováveis é de 42,4%.

Apesar desses números parecerem ruins, quando comparados com o mundo de modo geral são muito melhores, pois a matriz energética mundial tem a fração de esgotáveis com um peso bem maior, de 86,8%, contra 13,2% da parcela das fontes renováveis. O petróleo é a fonte energética mais importante no mundo, com 32,4%, seguido do carvão mineral (27,3%) e do gás natural (21,3%). Das renováveis, a fonte mais importante é a biomassa proveniente de lenha, carvão vegetal, outros biocombustíveis (como álcool e biodiesel) e resíduos em geral, que totalizam juntos 10% da energia consumida no mundo. Globalmente, a energia nuclear do urânio é mais representativa (5,7%) que a hidráulica (2,3%). Outras formas de energia, como solar e eólica, não passam de 0,9%.

Sandro Donnini Mancini (www.sorocaba.unesp.br/professor/mancini; mancini@sorocaba.unesp.br) é professor da Unesp de Sorocaba (www.sorocaba.unesp.br) para os cursos de graduação em Engenharia Ambiental, Mestrado e Doutorado em Ciência e Tecnologia de Materiais e Mestrado em Engenharia Civil e Ambiental. Escreve a cada duas semanas, às terças-feiras, neste espaço

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