Fonte: NetMarinha / 4/10/2013
Os dias de glória podem ter acabado para a indústria de navegação, mas existem razões para manter o otimismo, segundo o diretor financeiro da Maersk Line. “Não sabemos como será o futuro, e se observarmos o passado recente, veremos uma baixa taxa de crescimento para a demanda de container nos últimos quatro trimestres. Porém, houveram alguns sinais animadores no final do segundo trimestre e no início do terceiro deste ano” disse Jakob Strausholm na semana passada.
Apesar da lenta recuperação, Stausholm disse que existiram “mais sinais positivos do que negativos” para os próximos três à seis meses, dando confiança aos investidores da empresa. “O pior já passou e nós estamos de alguma forma saindo de um ciclo de declínio do comércio internacional global ” disse Strausholm.
Maersk Line é a maior empresa da holding dinamarquesa “Moeller Maersk”, que é a líder mundial do segmento marítimo. O otimismo com que Stausholm analisa o atual contexto, sucede um duro período no qual os armadores de container enfrentaram em função da grande oferta de espaço criada pela chegada de novos e maiores navios e da crise econômica mundial.
As taxas de frete declinaram, atingindo fortemente praticamente todas as rotas e o excesso de capacidade (ou seja de oferta de espaço de containers) foi acentuado pelo fato de muitas empresas terem encomendado simultaneamente novos e maiores navios quando a conjuntura econômica estava mais favorável, há alguns anos atrás. A Maersk não foi exceção e teve que tirar do trafego 21% de seus navios da rota Ásia-Europa como consequência da falta de demanda. No entanto, discursando em Copenhague, Strausholm disse aos investidores e analistas que o mundo iria superar a crise nos próximos dois anos e que a demanda global por containers iria crescer de 4% a 6% entre 2014 e 2015, além de 2% a 3% neste ano, de acordo com recentes previsões.
Investindo e apostando na melhora do mercado, Maersk lançou na última semana o maior navio porta-container do mundo, o Maersk McKinney Moller. Strausholm e defendeu a necessidade de encomenda de novos navios, apesar da lenta recuperação da economia global e o pequeno aumento da demanda por mais espaço. “Nós tivemos na verdade pouquíssimos acréscimos na frota e pretendemos nos próximos dois anos adquirir mais 20 navios com capacidade de 18.000 containers cada.”
No entanto, ele reconheceu que os dias de glória para containers chegaram ao fim, sendo que o crescimento de 8% a 10% na demanda global do setor tende a não se repetir novamente. “Observando a demanda de containers por um longo período, concluímos que os tempos de prosperidade precedentes à crise de 2007 não irão retornar, apesar de atualmente existirem fatores que favorecem a nossa indústria”, disse Strausholm.
Com o Maersk McKinney Moller consumindo 35% menos combustível e possuindo uma capacidade 16% maior do que os navios da classe anterior, cria-se uma boa oportunidade de aumentar tanto a eficiência quanto os lucros. A empresa anunciou também que vai estabelecer alianças operacionais em diversas rotas com duas grandes concorrentes, Mediterranean Shipping Company MSC e CMA CGM.
Independentemente das alianças, as empresas comercialmente vão brigar ferozmente quando o assunto for a venda de espaço, aponta Strausholm “O que estamos fazendo, a exemplo de outras indústrias, é compartilhar a infra-estrutura. Dividindo o espaço dos navios com nossos concorrentes vamos conseguir reduzir os fretes, oferecer mais serviços e escalas para os nossos clientes. Desta forma, vamos utilizar a nossa frota de uma maneira mais eficiente, independente das condições econômicas estarem boas ou ruins” completou Jakob Strausholm.