09 de outubro de 2013

O misterioso papel de Gates na Microsoft

Fonte: O Estado de S. Paulo - 9/10/2013 - 2h07

# Fundador está mais perto da gestão depois de presidente anunciar que sairá do cargo em 2014

Nick Wingfield, The New York Times/ Tradução de Terezinha Martino - O Estado de S. Paulo

Uma pergunta vem sendo sussurrada nas amplas instalações da Microsoft: o que Bill Gates fará? O papel de Bill Gates na Microsoft desperta sempre um enorme interesse desde que ele deixou o dia a dia da companhia, em 2000. Mas este interesse aumentou nos últimos anos com os tropeços da Microsoft e se intensificou drasticamente depois que Steven A. Ballmer anunciou que deixará seu posto de diretor executivo da empresa no próximo ano.

Muitos funcionários e investidores se lembram de forma saudosa dos dias de auge da Microsoft sob a condução de Gates. E Gates está sendo visto na sede da empresa em Redmond, em Washington, com mais frequência desde o comunicado de Ballmer, o que provoca rumores de que ele poderia assumir um papel mais importante para tentar uma virada na Microsoft.

Independente de suas obrigações futuras, Gates já tem um grande peso nas decisões da diretoria da empresa. Ainda é o chairman da Microsoft, seu maior acionista individual e um dos quatro membros do comitê que está em busca do próximo diretor executivo. Sua opinião no processo de seleção terá mais influência do que a de outros.

Gates reduziu muito sua participação na companhia nos últimos anos, colocando boa parte do seu dinheiro nos projetos filantrópicos que toca ao lado da mulher, Melinda. Mas ainda detém 4,52% das ações da empresa, o equivalente a US$ 12,8 bilhões. Há uma década sua participação era de 10,75%.

Apesar das especulações, é improvável que Gates voltará ao dia a dia na companhia. Segundo pessoas próximas, ele não tem intenção de trocar o trabalho de filantropia por uma jornada em período integral na Microsoft. John Pinette, seu porta-voz, não comentou o assunto.

Mas esta história do fundador que volta para salvar a companhia é poderosa, especialmente porque Steve Jobs, rival de Gates, retornou à Apple e fez dela uma das mais lucrativas companhias do mundo.

A Microsoft vem lutando em novos mercados importantes nos últimos anos, especialmente no campo dos celulares e tablets, o que levou alguns executivos do setor a pedir o retorno de Gates à direção executiva.

A busca de um substituto de Ballmer ainda está no começo. Embora o processo possa acelerar repentinamente, o conselho diretor da companhia não mostra pressa em agir antes do fim do ano, disse uma fonte envolvida nos planos de sucessão.

De acordo com duas fontes com conhecimento do processo, a lista dos executivos que vêm sendo analisados inclui Alan Mulally, diretor executivo da Ford; Paul Maritz, ex-executivo da Microsoft que hoje dirige uma empresa de tecnologia em nuvem chamada Pivotal; Tony Battes, atual executivo da Microsoft que veio para a empresa com a compra do Skype; e Stephen Elop, executivo da Nokia que já anunciou sua intenção de retornar à Microsoft quando ela concluir a compra da unidade de telefonia da empresa.

Convidado a sair. Há uma facção de investidores dentro da companhia que acha que ela precisa menos, e não mais, de Gates. E que ele é responsável pelas dificuldades da empresa.

Na semana passada surgiram novas notícias de que três acionistas passaram a pressionar a diretoria da Microsoft no sentido da afastar Gates do cargo de chairman, pois acham que ele será um obstáculo às mudanças de estratégia do novo diretor executivo.

Mas a pressão dificilmente conseguirá obrigar Gates a se distanciar da companhia, de acordo com várias pessoas que o conhecem e a dinâmica do conselho diretor.

Na última quinta feira, o conselho recomendou a reeleição dele como conselheiro, de acordo com documento registrado na Comissão de Valores Mobiliários. A função futura de Gates em parte dependerá do novo diretor executivo.

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