10 de abril de 2013

Novas alianças comerciais e a paralisia brasileira

Rodrigo Sias - Economista pelo Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro

Desde o início dos impasses em torno das conversações da Rodada de Doha, diversos países vêm buscando estratégias alternativas para além dos fóruns da OMC. As principais vêm sendo a assinatura de tratados bilaterais de liberalização comercial e a formação de novos blocos e acordos comerciais.

Dentro deste contexto, os EUA lançaram a Parceria Transpacífico, que, desde dezembro de 2012, vem tomando forma rapidamente.

Composta por Austrália, Nova Zelândia, Chile, Peru, Canadá, México, Brunei, Malásia, Vietnã e Cingapura, além dos EUA, a parceria parece ser também uma resposta estratégica ao crescimento comercial chinês.

No ano passado, foi formada a Aliança do Pacífico, com Colômbia, Peru, Chile e México, além das esperadas adesões da Costa Rica e do Panamá.

Os três primeiros países, com a pauta comercial concentrada em commodities, esperam fortalecer sua capacidade de negociação com a Ásia, região para a qual são grandes vendedores.

Já o México tenta proteger-se da agressividade chinesa, garantindo mercado para sua indústria. Segundo os dados, a Aliança do Pacífico representa quase 40% do PIB da América Latina.

Recentemente, em fevereiro deste ano, EUA e a União Europeia também iniciaram as negociações para a formação de uma zona de livre comércio entre as duas regiões econômicas, que juntas representam quase metade do PIB mundial.

Tal acordo promete gerar uma série de padronizações de leis e de normas em diversas áreas, o que terá grande impacto no comércio do resto do mundo. O Japão seguiu o movimento e iniciou uma ofensiva comercial também junto à União Europeia e deve assinar tratados com China e Coreia do Sul.

Como o Brasil vem se portando ante a formação dessas novas alianças? Infelizmente, nosso desempenho não tem sido nada animador. Nossa diplomacia segue empenhando esforços no âmbito do moribundo Mercosul, um bloco que começou promissor no início da década de 1990, mas a partir das crises cambiais de Argentina e Brasil, entrou em franco declínio.

No ano passado, com a absurda expulsão do Paraguai e a entrada da Venezuela, o Mercosul recebeu um golpe fatal na sua efetividade como estratégia comercial e passou a ser um organismo no qual o apelo ideológico fala mais alto.

Atado ao bloco, o Brasil tem ficado de fora do dinamismo das novas jogadas comerciais. A criação da Unisul, em 2008, também pouco acrescentou.

A nossa última cartada vêm sendo as conversações junto ao BRICS, um grupo composto por países muito heterogêneos, do qual se pode esperar alguns acordos diplomáticos interessantes, mas não um grande salto quando o assunto é aliança comercial.

O Brasil alcançou pouco mais de 1% de participação no comércio mundial na década de 1980. Durante a década seguinte, nossa participação caiu para menos de 1%. Com o boom das commodities, nos anos 2000, nossa participação voltou a crescer, batendo recordes e chegando a quase 1,5% do total.

Em 30 anos, portanto, ficamos praticamente no mesmo lugar. Nosso comércio exterior recente evoluiu graças a forças externas e não por nossos esforços.

E, mesmo assim, quase sempre abaixo da média mundial. A paralisia brasileira ante os novos movimentos globais é constrangedora. Preso a ideologias, o Brasil perde espaço, tempo e dinheiro.

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Rodrigo Sias é economista pelo Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro

 

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