Fonte: O Globo - 16/3/2015 - 11h46 / Atualizado 16/3/2015 - 13h13
# Levy defende ‘ajuste rápido’ para evitar rebaixamento, crise cambial e inflação
POR REUTERS
SÃO PAULO - O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, defendeu a implementação de um “ajuste rápido” como forma de assegurar melhor desempenho da economia brasileira, dizendo que é preciso evitar cenários marcados por downgrade, crise cambial e inflação realmente alta. Para o ministro, “ninguém está querendo o downgrade do Brasil”.
— O que a gente quer evitar são cenários muito desfavoráveis. Cenários de downgrade, cenário de crise cambial, cenário de inflação realmente alta, porque aí fica muito difícil trabalhar. Se a gente fizer o ajuste rápido, fizer ele de verdade e do tamanho que é necessário para estabilizar a dívida, a gente vai ter um cenário em que as pessoas possam sentir o chão firme e começar a trabalhar — disse.
— Hoje temos uma realidade que exige uma ação rápida para o país voltar a crescer. Não é hora de ter medo, mas confiança. E coragem de fazer a coisa certa, no tempo certo — defendeu o ministro.
Ele afirmou que o governo está praticando realismo de preços e exercendo "grande disciplina" como forma de sustentar o ajuste fiscal.
— O governo está fazendo sua parte. O governo não criou novos impostos e está usando de grande disciplina fiscal — disse Levy em encontro com empresários em São Paulo.
No entanto, reconheceu que parte das medidas depende de aprovação no Congresso Nacional.
— Temos que fazer um trabalho de convencimento com os nossos sócios no Congresso Nacional — disse aos participantes do evento da Associação Comercial de São Paulo.
O Brasil ainda tem o chamado grau de investimento — espécie de “selo” de bom pagador — pelas três agências classificadoras. No entanto, corre o risco de perder essa chancela. No ano passado, a Standard & Poor’s reduziu a nota brasileira para BBB-, a um degrau de entrar no grau especulativo. A Fitch e a Moody’s atribuem nota BBB e Baa2, respectivamente, a dois níveis do grau especulativo.
Entre países com nota BBB- pela S&P, o spread do Brasil é mais baixo apenas que o do Azerbaijão, segundo dados da Bloomberg.
Segundo Levy, a desvalorização das commodities e ajustes no dólar são decorrentes do fim de políticas anticíclicas nos Estados Unidos e na China. No Brasil, a moeda está no maior patamar desde 2003.
O ministro disse ainda que as concessões serão retomadas em condições que permitam maior participação do capital privado.