# Três aeroportos entregues à iniciativa privada irão criar cerca de 150 pontos comerciais. Flexibilidade, necessidade de expansão e potencial de consumo chamam atenção
Marília Almeida - iG São Paulo
Para o consumidor, as lojas de aeroportos são sinônimo de preços altos. Para as empresas, também, mas o faturamento, que chega a ser até dez vezes maior do que o de uma loja nos shoppings do Brasil, compensa. Isso porque houve um aumento do número de passageiros nos últimos anos. Como consequência, o consumo também cresceu.
Diante deste cenário, aproveitando a forte expansão das redes de franquias e em busca de 'turbinar' receitas para fazer frente a exigências de pesados investimentos, os consórcios que ganharam as licitações do Aeroporto Internacional de Brasília (o JK), o Aeroporto Internacional de Guarulhos e o Aeroporto de Viracopos, em Campinas, ambos em São Paulo, querem transformar os locais em novos shoppings centers. Para isso, darão atenção ao mix de produtos, ao padrão das lojas e a quantidades de pontos.
Somente nos três aeroportos privatizados, serão mais 150 novos pontos, a maioria do segmento de alimentação, mas há espaço para produtos e serviços. Após seis meses do início da concessão do Aeroporto de Guarulhos, o maior do País, já foram inauguradas 12 lojas,;11 delas são recém-chegadas.
O metrô, que nas palavras de Marcos Hirai, sócio da consultoria imobiliária BG&H, tem potencial para se tornar um "templo de conveniência", acompanha a tendência. A Linha 4-Amarela do Metrô de São Paulo, administrada pela Via Quatro, do grupo CCR, já oferece aos consumidores máquinas da Cacau Show, e quiosques da Havaianas e da Cup Noodles, marca da Nissin.
Em comum, os pontos reúnem potencial de consumo e permitem às redes de franquias e marcas expandirem em um momento de consumo aquecido no País. As vendas no varejo aumentaram cerca de 8% no ano passado no País, bem acima do Produto Interno Bruto (PIB) nacional.
Para Hirai, as privatizações e a mudança do modelo de licitações facilita a criação de novos pontos nos modais. "Eles eram um entrave para quem queria entrar neste ambiente porque muitas vezes a lista de exigências era tão complexa que desestimulava, especialmente as fiscais. Grandes empresas não podia ter nenhum tipo de débito".
De uma lógica imobiliária, passou a existir uma lógica de shopping center. "Agora, não basta pagar mais. É preciso ter uma boa operação e produto de qualidade, o que já é praticado há bastante tempo em outros países. Senão, troca-se o lojista".
Fonte: iG - 3/6/2013