Fonte: Museu do Café - 30/3/2015
# Objeto chegou após uma parceria com o Instituto Agronômico de Campinas e encontra-se no primeiro módulo da exposição de média duração do museu
A nova exposição de média duração do Museu do Café, instituição da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, intitulada “Café, patrimônio cultural do Brasil: ciência, história e arte”, foi inaugurada em dezembro de 2014 com muitas novidades. Entre os objetos de acervo expostos, um em especial se destaca: a miniatura de máquina beneficiadora de café. Emprestada pelo Instituto Agronômico de Campinas e presente no primeiro módulo “Da planta à xícara”, a peça impressiona pela semelhança com uma beneficiadora em tamanho real.
Foto: Divulgação
A beneficiadora fica exposta junto aos objetos que integravam o trabalho nas fazendas cafeeiras. São utensílios utilizados para o preparo do solo, plantação das mudas e, em um estágio mais avançado, colheita, separação e descascamento dos grãos. A miniatura é composta por três equipamentos: à esquerda do ponto de vista do observador, é onde fica situada a rebeneficiadora. Ao centro, o descascador e, à direita, o catador de pedras e torrões.
Foto: Divulgação

O processo de beneficiamento é a etapa em que o fruto seco de café é preparado para se tornar “café verde”. O benefício se faz em três fases: limpeza, descascamento e rebeneficiamento. Na primeira, os lotes de frutos secos são limpos com o intuito de remover pedras, areias e demais resíduos do solo. Na etapa seguinte o café é separado das cascas, que são jogadas para fora da máquina. Na fase de rebeneficiamento, ocorre a classificação do café, preparando os grãos de acordo com a demanda do comprador. São utilizadas máquinas com peneiras e ventilação para separar os grãos de acordo com os tamanhos e densidades diferentes, detectando e descartando os defeituosos.
Construída em 1936 pela Machina S. Paulo em madeira e metal manufaturado, a miniatura era utilizada para fins didáticos em cursos técnicos de montagens de máquinas beneficiadoras. Essas aulas eram destinadas aos filhos dos operários da empresa com o intuito de formar novos trabalhadores aptos a manusearem os maquinários. Além disso, o pequeno exemplar também era comumente utilizado durante as vendas das máquinas originais, podendo ser transportadas com mais facilidade graças ao seu tamanho reduzido, mas preservando toda a estrutura original e capaz de mostrar todas as reais funcionalidades do produto aos compradores.
Tratamentos técnicos – O objeto veio de Campinas a Santos embalada em plástico bolha visando uma maior conservação de suas características originais. Já no Museu do Café, a equipe de museologia da instituição realiza semanalmente a higienização da miniatura utilizando equipamentos específicos, como aspirador de pó com proteção, pinças, trinchas e pincéis. Também é utilizado um dataloger, aparelho que tem como função medir a temperatura e a umidade relativa do ar para acompanhamento por meio de gráficos. Em caso de períodos muito úmidos, medidas preventivas são tomadas para a preservação do acervo, como instalação de desumidificadores ao longo do espaço expositivo, por exemplo.
Sobre a Machina S. Paulo – A empresa surgiu em 1917, na cidade de Limeira, em São Paulo, por iniciativa de Trajano de Barros Camargo e Antonio Augusto de Barros Penteado. As atividades da firma consistiam na produção de máquinas para beneficiamento de café.
No início dos anos 1920, após a compra de uma patente, a empresa lançou no mercado um dos primeiros descascadores de café por impacto do Brasil.
O crescimento da empresa começou a atrair profissionais de cidades vizinhas.
Havia cursos de carpintaria e de montagem de máquinas para os filhos dos funcionários, maiores de 12 anos.
No início da década de 1960, a Machina S. Paulo encerrou suas atividades.