Fonte: iG - http://www.ig.com.br/ - 3/7/2015 - 5h00
Por Maria Fernanda Ziegler , especial para o iG
# Contra vontade do pai, empresário Eduardo Pacheco largou empresa da família de venda de lubrificantes para montar uma lucrativa rede de escolas de idiomas
Na época nem se falava ainda do mote “erre logo”, máxima comumente repetida no Vale do Silício, a região americana prolífica em novas empresas, especialmente as relacionadas à tecnologia. Mas de certa forma, foi o que Eduardo Pacheco fez. Em menos de seis meses, ele desistiu da revenda de lubrificantes que seu pai tinha confiado para ele tocar.
Parecia uma medida drástica, mas a bem da verdade é que um novo caminho profissional já estava sendo bolada dentro da cabeça dele. “A decisão de lagar foi rápida. Aquele trabalho não tinha nada a ver comigo, eu não via valor naquilo”, conta. Em compensação, dar aulas de inglês era sua grande motivação.
Na época, ele tinha 21 anos e ainda fazendo faculdade de Economia na Universidade Federal de Uberlândia, dava aulas de inglês para parentes e amigos “para conseguir um trocado”. Anos antes, ele tinha passado em uma bolsa de estudos para fazer intercâmbio na Middle Georgia College, nos Estados Unidos. “Lá, eu estudei Business e quando voltei para o Brasil, precisava de dinheiro, então passei a dar aula”, recorda.
Hoje, ele é dono de uma rede de escolas de idiomas com mais de 40 franqueados, 8 mil alunos e um faturamento anual de R$ 16 milhões, muito mais que a revenda de lubrificantes.
Pacheco é defensor ferrenho do faça o que você ama e acabou virando especialista no assunto. “A vida profissional só é bem-sucedida se você exerce algo com crença. Fica mais fácil ter vontade e disciplina quando a gente se apaixona pela atividade”, defende. Ele explica que só se conseguem atingir novos patamares profissionais quando é possível transferir conhecimento em competência, ou seja aplicar o conhecimento. “Caso contrário, não se consegue criar valor.”
Método inovador
A decisão de largar os negócios do pai foi tomada em 1996. No mesmo ano, ele abriu uma empresa de aulas de inglês focado para o mercado coorporativo, as chamas aulas “in-company”.
Ele explica que Uberlândia, no triangulo mineiro, é uma cidade com grandes empresas, multinacionais agrícolas. “Eu sabia que existia uma lacuna no mercado e que também havia o grande problema de conseguir fazer com que as pessoas falassem inglês”, disse.
Nessa época, ele chamou o sócio e cunhado, Paulo Arruda, para buscar ferramentas e criar um produto inovador. “A gente varava a noite pesquisando, analisando o que viria a ser o método Park e conseguimos inserir no plano o que o cliente não verbaliza, mas quer”.
Resolveu então pesquisar o que poderia utilizar para a criação de algo diferente e conheceu o QFD (Quality Function Deployment), uma ferramenta japonesa utilizada por quem deseja desenvolver produtos inovadores. Enquanto dava aulas, realizava a pesquisa ampla com alunos que estudaram inglês com ele e em diversas escolas.
Eles descobriram que as pessoas querem falar inglês com autoconfiança, com um aprendizado rápido e prazeroso. “Notava que o sonho mais íntimo era ser aquilo que elas são em português, em inglês. Também percebia que as pessoas já estavam cansadas de aprender inglês por anos sem conseguir falar”. O método foi então elaborado em vocabulário e estrutura.
Crescimento rápido
Em 2000, a dupla abriu a primeira escola. “Logo percebemos que o sistema de franquia se aplicava bem ao nosso negócio”. Foi então que começaram a negociar com franqueados. Hoje são 40 e a previsão é que em 2015, mais 25 franquias sejam inauguradas.
Mas a história nem a motivação com o novo negócio não acabam por aí: a convivência com vários franqueados se transformou em livro. Pacheco passou a estudar a chamada inteligência voltiva, algo além da inteligência emocional e racional.
“Não basta ser uma pessoa que tenha boas ideias. O diferente é ser alguém que as realize. Uma ideia é o início, mas por si só, não transforma nada”, explica Pacheco, que em sua obra, além de contar toda a trajetória da criação e sucesso de sua empresa, traz dicas práticas para futuros empreendedores.
Quais são os próximos passos? “Você sabe que na vida ou a gente cresce ou a gente morre, não é mesmo? Então eu quero que a minha empresa cresça”. Estamos sempre tentando entender as mudanças do mercado e traçando estratégias”, diz. E que fique claro, se der errado, é tudo identificado e mudado rapidamente.