Fonte: Folha de S. Paulo - 17/3/2015 - 2h00
FELIPE MAIA
EDITOR-ADJUNTO DE "MERCADO/TEC"
O Google vai anunciar nesta terça-feira (17) a adoção do sistema de classificação indicativa recomendado pelo governo brasileiro na loja de aplicativos do Android –hoje, as indicações seguem uma nomenclatura própria da companhia.
Apps e games, os itens que os brasileiros mais baixam, serão classificados como livres ou voltados a usuários de 10, 12, 14, 16 ou 18 anos (antes, havia indicações de quatro níveis de maturidade).
Na realidade, o Google aderiu ao Iarc (Coalizão Internacional de Classificação Etária, em inglês), um sistema do qual o Brasil faz parte e que facilita esse processo.
Apenas um questionário gera diferentes indicações para cerca de 40 países. São levados em consideração fatores como conteúdo sexual, violência e jogos de azar.
Purnima Kochikar, diretora de desenvolvimento de negócios de apps e games, diz que a classificação será analisada pelo Google e também pelos usuários, de forma "colaborativa" após a publicação, para indicar se ela está correta.
Ela afirma que adotar o sistema é importante para os desenvolvedores de apps, que poderão fazer a classificação de modo mais fácil, e também para os usuários –principalmente os pais. "Professores também podem querer saber se aquele jogo é apropriado para seus alunos da quarta série". afirma.
A partir de maio, será exigido o preenchimento do questionário para todos os novos apps e as atualizações dos antigos.
Uma medida parecida havia sido tomada em outubro do ano passado pela rival Apple, que só passou a vender jogos considerados violentos no Brasil pela App Store após adotar a classificação (apps e filmes também passam pela classificação).
Mas a empresa adaptou seu próprio modelo para o país, e não aderiu ao Iarc.
Com isso, os dois principais sistemas operacionais de smartphones no Brasil passam a ter alguma classificação indicativa local –de acordo com a consultoria Kantar Worldpanel, o Android está em 90,8% dos smartphones no Brasil, seguido pelo iOS, que tem 3,9%.
De acordo com David Pires, diretor-adjunto do departamento de justiça, classificação, títulos e qualificação do Ministério da Justiça, a Microsoft, dona do Windows, que tem 3,8% de participação, está no processo de implantação da classificação.