Fonte: Jornal do Comércio, Porto Alegre - 29/9/2014 - 8h12
# Parceria da empresa com o poder público pode levar o Brasil a se projetar em segmentos estratégicos
Marina Schmidt, de São Paulo
Na sala de aula, computadores desenvolvidos para fins educativos. No trânsito, carros com dispositivos que facilitam a identificação dos veículos em radares, postos de combustíveis e órgãos de fiscalização. Já para o setor energético, a computação de alto desempenho (em inglês, High Performance Computing – HPC) é que tem sido a aposta para garantir mais resultados na exploração do pré-sal. Esse conjunto de inovações faz parte de parcerias entre poder público e a Intel, que, no início de 2013, anunciou a perspectiva de investir R$ 300 milhões em pesquisa e desenvolvimento de tecnologias no País.
O plano de investimento, firmado com apoio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e do Ministério da Educação (MEC), está vinculado ao programa TI Maior, do governo federal, cujo objetivo é impulsionar o segmento no Brasil. O valor aportado foi previsto para cinco anos de estímulo e deve mobilizar até 300 pesquisadores, entre colaboradores, pesquisadores de universidades e bolsistas.
Durante a semana passada, líderes da multinacional destacaram soluções que já estão sendo desenvolvidas e aplicadas no Brasil, que, em alguns setores, pode encabeçar a liderança mundial em inovações. Exemplo disso é o sistema desenvolvido para identificação eletrônica de veículos, o BTag, um pequeno dispositivo que, preso ao para-brisas, replica informações sobre o veículo instantaneamente.
Segundo Max Leite, diretor de inovação da Intel no Brasil, o mecanismo coloca o País à frente na adoção estratégica de soluções para Internet das Coisas (IoT, em inglês), além de expandir o mercado brasileiro no segmento. A própria tecnologia foi desenvolvida em parceira com a empresa brasileira Autofind, especializada em sistemas de transporte inteligente, comprovando o potencial das inovações na ampliação de modelos de negócios.
O BTag já foi aprovado pela Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp), e passa por testes no uso de pedágios eletrônicos em concessionárias de rodovias que detêm tecnologia para leitura do equipamento, facilitando o pagamento. Com funcionamento semelhante, postos de combustíveis também podem ser alvo da tecnologia. Há três anos, a Intel apresentou o conceito de Posto do Futuro, em que o pagamento é feito diretamente quando da identificação do veículo, a exemplo do pagamento de pedágio, e tendo serviços personalizados de acordo com o cliente.
Para fins de gestão pública, a iniciativa assegura controle de infrações, sejam de trânsito ou tributárias, graças à identificação imediata do veículo. As informações geradas, armazenadas em Brasília, também têm potencial para gerar dados estratégicos. Leite destaca que as aplicações são diversas, atingindo também a propósitos logísticos e de controle de carga. “Projetamos que, em dois anos, a Internet das Coisas vai ter uma projeção semelhante a que foi ocasionada pela popularização da internet. E o Brasil está saindo na frente nesse aspecto”, consolida.
Empresa quer ampliar inovações a partir do próximo ano
No campo energético, a Intel inaugurou, em abril, o Centro de Inovação no Rio de Janeiro, em parceria com o governo carioca. No local, tecnologias de HPC, Big Data e IoT são elaboradas para aplicação nas áreas de Pesquisa de Óleo e Gás e Cidades Inteligentes, com foco na exploração do pré-sal e inteligência na nuvem para serviços públicos e privados.
Outro exemplo da junção entre as inovações da Intel e as necessidades apontadas pelo poder público do País vem de Pernambuco. O diretor executivo de Estratégia e Inovação da Intel no Brasil, Fernando Martins, conta que o governo pernambucano adotou o Intel Classmate PC Conversível para todos os alunos do segundo e terceiro do Ensino Médio público. O computador foi desenvolvido para fins educativos e possui uma gama de programas para realização de testes científicos diversos, instigando a curiosidade dos estudantes. Elaborado com apoio pedagógico, os modelos são mais resistentes. “Quando o aluno concluiu o Ensino Médio, o computador fica como um prêmio. Essa foi uma opção que reduziu bastante a evasão escolar”, destaca Martins. A Secretaria de Educação do Rio Grande do Sul também tem testado a iniciativa em escolas modelos.
Essas inovações devem ser ampliadas ainda mais a partir de 2015, quando a Intel vai iniciar o programa para capacitação de centros independentes de designs de referência de dispositivos de computação pessoal no Brasil. A proposta prevê a capacitação de pesquisadores locais para o desenvolvimento de soluções para o País e para os estados em que estão instalados os centros. Os pesquisadores farão um intercâmbio de nove meses em centros tecnológicos asiáticos, de onde provém 95% dos designs de computação pessoal do mundo.
Os primeiros pesquisadores a passarem pela experiência são dos centros de desenvolvimento da Intel na Bahia, Distrito Federal, São Paulo e Rio Grande do Sul. A partir do conhecimento adquirido na Ásia, a Intel espera impulsionar ainda mais o leque de soluções elaboradas para a realidade brasileira. “A experiência da Intel com apoio à indústria de tecnologia e aos desenvolvedores no Brasil tem resultado em projetos inovadores. Acreditamos que nosso trabalho como catalisadores da indústria pode auxiliar o ecossistema local a evoluir de modo ainda mais rápido”, sustenta David González, diretor-geral da Intel Brasil.