21 de maio de 2015

Inovação em universidades no Brasil atrai investidores em busca de bons negócios

Fonte: iG - http://www.ig.com.br/ - 21/5/2015 - 5h00

Por iG São Paulo , especial por Laura Durante

# Seis em cada dez universitários sonham em transformar projetos em startups; jovens brasileiros conquistam viagem para participar de feira de inovação em Las Vegas com projeto

Em 1998, o empresário Andy Bechtolsheim resolveu investir na ideia de dois estudantes universitários de Stanford antes mesmo que eles tivessem aberto uma empresa. Bechtolsheim deu um cheque de US$ 100 mil para que Lawrence Page e Sergey Brin pudessem implementar seu site de pesquisa pela internet. Hoje, essa empresa vale algo perto de US$ 400 bilhões e seu nome é Google.

Aplicar recursos em Startups de inovação que ainda estão embrionárias e dentro de universidades é algo comum nos Estados Unidos e vem acontecendo com cada vez mais frequência no Brasil. A prova disso foi a presença de investidores durante uma competição universitária de 'internet das coisas' promovida pela multinacional Telit Wireless Solutions, que aconteceu na última semana em São Paulo e contou com mais de 1.400 participantes.

Ricardo Buranello, idealizador do concurso Telit Cup, explica que centros universitários são lugares ideais para o surgimento de novas tecnologias. “Se olharmos para os EUA, empresas como Google, Facebook e outras inovadoras começaram como uma ideia de alunos que estavam dentro das universidades. No Brasil, notamos um movimento parecido e vemos cada vez mais investidores que buscam opções de projetos para investir dentro de instituições de ensino”.

Os estudantes Renata Camillo e Renato Nunes Moraes buscam apoio para tornar viável um sistema de umidificação para ambientes abertos à prática de esportes

Arquivo pessoal

Os estudantes Renata Camillo e Renato Nunes Moraes buscam apoio para tornar viável um sistema de umidificação para ambientes abertos à prática de esportes

A visão de Buranello é reforçada por uma recente pesquisa da Endevor, em parceria com o Sebrae, sobre o empreendedorismo na universidade. O levantamento indica que 6 em cada 10 alunos querem abrir o próprio negócio, e que os que consideram o seu produto inovador têm uma expectativa maior em relação ao crescimento de sua empresa.

Para Bernardo Zamijovsky, diretor executivo da 1188 Investimentos, empresa de private equity, o Brasil poderia exportar mais produtos de valor agregado se houvesse maior estimulo ao ensino de empreendedorismo nas universidades, em especial em cursos voltados à tecnologia. “A escola de engenharia e informática precisa trabalhar o lado do negócio dos seus alunos. O Brasil já é um local estruturalmente difícil para o empreendedorismo, e o governo não possui uma política de incentivo para inventores. Por isso essa preparação é fundamental para o sucesso do negócio”, diz.

Futuro promissor

Do lado dos jovens empreendedores, apesar das barreiras para transformar boas ideias em empresas economicamente viáveis, há muitos exemplos de quem busca conhecimento e contatos para fazer o sonho se transformar em realidade. Esse é o caso dos estudantes Renata Camillo e Renato Nunes Moraes, que buscam apoio para tornar o SAUPA (Sistema Automático de Umidificação de Parques) - solução que busca estabelecer, de maneira inteligente, um nível de umidade relativa do ar confortável em ambientes abertos à prática de esportes – uma startup de sucesso.

Os jovens deram um passo importante neste sentido: o projeto deles foi o ganhador da competição de 'internet das coisas' e em setembro eles embarcam para Las Vegas, onde participarão da CTIA, um dos mais importantes eventos mundiais de inovação. Lá eles pretendem apresentar a solução e, quem sabe, captar recursos para tirar de vez do papel o seu plano de negócios.

Para Rodrigo Rocha, Victor Siqueira e Bruna Leite esse desejo está cada vez mais próximo de se concretizar.  O projeto Smart Eyes, um sistema de auxílio à localização de transporte coletivo que tem por objetivo melhorar a mobilidade urbana de pessoas com necessidades especiais visuais,  chamou a atenção da StartMeUp,  plataforma virtual que possibilita a busca de capital para empresas em estágio inicial de operação.

“Além do forte apelo social, a proposta do Smart Eyes tem potencial de exportação para diferentes países e deve conquistar patricínio de marcas e contratos com entidades públicas”, defende Rodrigo Carneiro, sócio-fundador da iniciativa de equity crowdfunding e que ajudará o grupo no processo de obtenção de recursos para viabilizar a entrada da solução no mercado.

 

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