10 de outubro de 2014

Inovação e emoções na empresa: novos modelos de gestão

Fonte: Notisul.com.br - 10/10/2014 - 0h34

Gildo Volpato - Reitor da Unesc - giv@unesc.net

A palavra de ordem nos meios científico-acadêmicos, tecnológicos, organizacionais, empresariais, públicos e privados, nos últimos tempos, tem sido inovação. A velocidade e o grau de exigência das demandas sociais, econômicas e ambientais assim a ditam. Novos desafios exigem novas soluções e, às vezes, velhos problemas e velhas perguntas exigem novas respostas. Para dar conta dessa inovação em âmbito mais geral, há necessidade de inovarmos, também, nas relações interpessoais e emocionais no ambiente de trabalho.

Hoje, inovações nessas áreas estão cada vez mais finas, no sentido de atingirem dimensões cada vez mais sensíveis que contemplem o ser humano em sua inteireza e em profunda interdependência com o ambiente externo. Esse é um tema que está em pauta nas capacitações e formações que ocorrem nas organizações em todos os lugares.

Desde os estudos do PhD Daniel Goleman, realizados no Massachusetts Institute of Technology (MIT), nos anos 1990, essa dimensão do ser humano (suas emoções) vem merecendo atenção e ganhando importância nos meios produtivos e organizacionais. Se no modelo clássico mecanicista as organizações eram vistas como máquinas e seus funcionários como meras peças, hoje a realidade já é bem outra e conta com ampla e profunda fundamentação científica para isso. As empresas são vistas como seres em movimento, em transformação, vivos, compostos por outros seres vivos. Estresse e depressão estão entre as primeiras causas de prejuízos com pessoal (inclua-se aí dependência química e acidentes de trabalho). Hoje, além de saber que colaborador satisfeito e motivado produz mais, é importante compreender que isso também é salutar para a sua própria saúde e para a saúde da empresa, gerando um verdadeiro círculo virtuoso. Grandes corporações como a Google, a Coca-Cola, o Itaú, a Anjo Química e a Unesc, entre tantas outras daqui e deste mundo afora, além de inovarem em condições e processos de trabalho com vistas ao bem-estar das pessoas, incluem em seus programas de pessoal ginástica laboral, yoga, meditação, tai chi chuan, trabalho social voluntário, e muitas outras práticas antiestresse e de autoconhecimento. Isso melhora o estado individual das pessoas, a qualidade das relações interpessoais e do trabalho coletivo.

Hoje, um gestor coerente com seu tempo e de olho na interdependência entre todos os fatores constituintes do processo produtivo, com ênfase na qualidade de vida das pessoas e do meio ambiente, sabe disso. Mas, por se tratar de uma verdadeira inovação, a qual mexe também com a questão de uma nova ética e de valores humanos nas organizações, as mudanças não são tão rápidas como gostaríamos. Mudar a mentalidade da competição pela consciência da cooperação e das relações colaborativas no ambiente profissional exige tempo, consciência e muito trabalho. Escrevo isto na semana que antecede a minha imersão na Amana-Key, em São Paulo, uma das mais especializadas organizações do mundo na área de gestão, estratégia e liderança de organizações complexas dos setores empresarial e governamental e da sociedade civil. Na volta conto mais.

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