Fonte: Folha de S. Paulo - http://www.folha.uol.com.br/ - 28/4/2015 - 2h00
Vaivém das Commodities
Por Mauro Zafalon(*)
As importações de café torrado e moído pelo Brasil se mantêm em ritmo forte. Já as exportações têm intensa queda. É mais um setor em que a exportação de produto com valor agregado diminui.
Os dados dos três primeiros meses deste ano indicam que o Brasil importou 575 mil quilos de café torrado e moído, principalmente em forma de cápsulas, um volume 27% superior ao de 2014.
Em dólares, os gastos são maiores. As importações somaram o recorde de US$ 11,4 milhões até março, 40% mais que em igual período de 2014.
Essa elevação de gastos ocorre antes de o governo reduzir para zero as alíquotas de importações sobre cápsulas e máquinas para a preparação desse café.
O café em cápsulas teve a alíquota alterada de 10% para zero. Já as máquinas para preparação de bebidas tiveram o imposto reduzido de 20% para zero.
Para a Camex, as reduções tarifárias -cuja publicação ocorreu no início deste mês- fazem parte de um conjunto de medidas para a criação de mercado e atração de investimentos no país para a fabricação local de produtos com maior agregação de valor.
MÁQUINAS
As importações de máquinas também crescem, e em ritmo ainda maior. Nos três primeiros meses deste ano, foram gastos US$ 29,7 milhões com importações desses equipamentos, um valor 47% superior ao de igual período do ano passado.
De janeiro a março deste ano, entrou 1,38 milhão de aparelhos para a preparação de café ou chá, segundo o Ministério do Desenvolvimento.
A origem desses aparelhos é a China, responsável por 93% deles. Já o café vem, em grande parte, da Suíça, cujas importações somaram US$ 7 milhões no trimestre, 65% mais do que no ano passado.
Já a Itália, tradicional fornecedora ao Brasil, teve redução de 31% no período.
As exportações brasileiras de café torrado recuaram para US$ 2,34 milhões de janeiro a março, 12% menos do que em igual período do ano passado. Em relação a 2008, quando o país ensaiava uma conquista de mercado, a queda é de 75%.
Estados Unidos, Argentina e Chile são os principais importadores do produto brasileiro, aponta a Secex (Secretaria de Comércio Exterior).
(*) Mauro Zafalon é jornalista e, em duas passagens pela Folha, soma mais de 38 anos de jornal. Escreve sobre commodities e pecuária. Escreve de terça a sábado.
Editoria de Arte/Folhapress