# Segundo diretor de comunicação do Google Brasil, Félix Ximenes, lançamento tem relação com o processo antitruste movido pela concorrente Buscapé
Mayara Teixeira , iG São Paulo
O lançamento no Brasil de um livro com duras críticas ao Google, na semana passada, está causando mal estar e insinuações de complô entre a subsidiária brasileira da gigante de tecnologia, a editora Matrix e o site Buscapé, adversário da companhia americana em um processo antitruste que corre no Conselho Administrativo de Defesa Econômica, o Cade. Para o Google Brasil, o lançamento do livro “Busque e Destrua: Por que você não pode confiar no Google Inc.” faz parte de uma orquestração que tem como objetivo enfraquecer a companhia no processo na qual é ré no Cade. “Não é à toa que estão lançando esse livro agora, eles estão a serviço de uma causa”, afirmou o diretor de comunicação do Google no Brasil, Félix Ximenes.
“Busque e Destrua...” é um libelo contra o Google escrito pelo consultor americano Scott Cleland, que se classifica como o maior crítico mundial da empresa americana. Lançado nos Estados Unidos em maio do ano passado, o livro está entre os 50 mais vendidos da livraria virtual Amazon na seção de computação e tecnologia. Nas 348 páginas da obra, Cleland, um ex-assessor do Departamento de Estado no governo de George Bush, afirma que o Google é a maior ameaça à civilização ocidental do século 21 e chega, até mesmo, a afirmar que se a companhia não for contida é possível que a democracia nos Estados Unidos seja extinta.
Para Félix Ximenes, a ligação entre o lançamento do livro de Cleland e as denúncias da Buscapé é clara. “Você encontra no discurso exatamente os termos que estão no processo legal que temos com o Buscapé, por exemplo, exatamente os mesmos termos”, diz. “Ele não falou isso só de coração, ele está orientado para dizer essas coisas, é a missão dele como lobista falar isso”. Félix enfatiza que a maior preocupação do Google é o usuário e que a empresa não privilegia seus próprios produtos. “Poder para fazer isso nós temos, e muito. Mas, porque existem concorrentes até hoje? Porque não usamos esse poder. Quando existe um deslize, assumimos e punimos”, diz.
Em dezembro, a Buscapé entrou com representação contra a gigante americana na extinta Secretaria de Direito Econômico do Ministério da Justiça. A partir da reformulação da Lei Antitruste, em maio, as denúncias passaram a ser analisadas pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). A Buscapé acusa o Google de favorecer seu próprio comparador de preços, o Google Shopping, nos resultados de busca. A companhia americana já apresentou sua defesa ao órgão e a Buscapé já enviou réplica ao documento. Até agora, o Cade não julgou o caso.
A Buscapé, por meio de sua assessoria de imprensa, informou que não vai se pronunciar sobre o episódio, porque “o tema não lhe diz respeito”. A empresa disse apenas que decidiu enfrentar o Google em nome do livre mercado e de todos os concorrentes nacionais que também estão sendo prejudicados. A denúncia de prática discriminatória é nova no Brasil, mas se junta a uma série de ações semelhantes espalhadas pelo mundo contra o Google. Nos Estados Unidos, na União Europeia e na Coréia do Sul, por exemplo, o Google já precisou se justificar judicialmente por agressão à livre concorrência.
No meio do contencioso está a Editora Matrix, que lançou o livro no Brasil neste mês. “Isso é até engraçado, eu nem sabia do processo do Buscapé contra o Google”, diz Paulo Tadeu, o editor que escolheu o livro de Clealand para ser publicado no país. Ele conta que procurava algum livro sobre a companhia, porque o Google é “um nome da moda, é uma empresa de ponta, em evidência”. No catálogo da Amazon, encontrou diversos títulos (inclusive, alguns pró-Google), mas muitos já tinham sido traduzidos por outras editoras brasileiras. Quando viu o livro de Cleland, percebeu que o posicionamento diferente do autor poderia despertar a atenção dos leitores. “Se para o Google parece que foi lobby, sinto muito, é só coincidência”, conta ele. “Mas, eu não estou achando essa confusão ruim não, é bom para vender mais livros”, diz.
Fonte: iG - 10/7/2012