A cafeicultura representa importante papel nas exportações brasileiras e o Brasil, além de ser o maior produtor, ocupa o segundo lugar como consumidor mundial. Um dos fatores que mais contribuem para aumentar a produtividade e a renda dos pequenos cafeicultores, além das técnicas agronômicas, é o uso de tecnologias de pós-colheita que funcionam de maneira simples, eficiente e a um baixo custo operacional, e ainda possam ser construídas com matéria-prima e mão de obra regional.
A publicação “Fornalha a Carvão para Secagem de Café e Grãos”, do professor e pesquisador Juarez Souza e Silva, da Universidade Federal de Viçosa (UFV) - instituição participante do Consórcio Pesquisa Café, cujo programa de pesquisa é coordenado pela Embrapa Café – trata de todos os passos para montagem de uma dessas tecnologias de pós-colheita: a fornalha a carvão para secagem de café e grãos. A Circular Técnica está disponível na Internet e é voltada para contribuir com a competitividade do pequeno e médio produtor.
Baixo custo - “Na produção de grãos e café, a secagem é a operação que mais consome energia (elétrica e de biomassa). Apesar de haver à disposição do usuário equipamentos para controle de processos, a tomada de decisão para otimização de uma determinada operação cabe, também, ao operador. As operações de secagem e armazenagem, quando realizadas corretamente e com equipamentos eficientes, contribuem significativamente para a redução dos custos operacionais em razão da economia de energia que propiciam”, explica Juarez.
Qualidade - O professor ensina também que, para se atingir um padrão de qualidade, a secagem tem de ser feita o mais breve possível, desde que se obedeça a temperatura máxima que o grão pode atingir durante a secagem (40ºC é um limite seguro). “Se dentro de 60 horas a umidade inicial do café for reduzida para 18%, aproximadamente, o produto entra em uma fase segura e que permite uma secagem mais lenta até atingir 11,5%, que é a umidade segura para o armazenamento por longos períodos. Somente com o uso de pré-secadores e secadores adequados ou que independa das condições climáticas dá ao cafeicultor uma garantia de bom trabalho e produção com qualidade”, completa.
Juarez lembra que, para que o café permaneça com as características originais, é preciso que todas as operações anteriores à secagem sejam bem feitas. “Não há agregação de qualidade se esta não existir, mas sim a manutenção dela. Sendo assim, é importante reforçar que, sem secadores e acessórios, dificilmente o cafeicultor pode competir no mercado de cafés de qualidade”, conclui.
Adoção da tecnologia – Segundo Juarez, não há uma estatística correta sobre a utilização da tecnologia pelos produtores, mas vem crescendo em ritmo acelerado o uso de técnicas de pós-colheita que tragam efetivamente resultados. “A Zona da Mata de Minas Gerais e as Serras do Espírito Santo, antes produtoras de cafés inferiores, hoje são, graças ao uso crescente de tecnologias adequadas, grandes produtores de cafés de qualidade. Esse crescimento só foi possível e se perpetua porque temos investido em pesquisa por meio do arranjo institucional chamado Consórcio Pesquisa Café, criado há dezesseis anos”, afirma.
Secagem tradicional – Juarez também fez uma comparação entre a secagem tradicional do café em terreiros e a secagem realizada pela fornalha a carvão. Segundo ele, a tradicional não traz segurança de produção com qualidade, demanda muita mão de obra e requer tempo relativamente longo para a secagem. “Grande parte das regiões produtoras (cafeicultura de montanha principalmente) não é favorável à secagem tradicional do café em terreiros (colheita em período chuvoso). Somente com a secagem por ar aquecido, usando fornalhas eficientes em pré-secadores e secadores, acelera o processo de secagem e evita a proliferação de organismos que deterioram o café na fase inicial de secagem”, esclarece.
Consórcio Pesquisa Café - Congrega instituições de pesquisa, ensino e extensão localizadas nas principais regiões produtoras do País. Seu modelo de gestão incentiva a interação das instituições e a otimização de recursos humanos, físicos, financeiros e materiais.
Foi criado por dez instituições: Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola - EBDA, Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - Embrapa, Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais - Epamig, Instituto Agronômico - IAC, Instituto Agronômico do Paraná - Iapar, Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural - Incaper, Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento - Mapa, Empresa de Pesquisa Agropecuária do Estado do Rio de Janeiro - Pesagro-Rio, Universidade Federal de Lavras - Ufla e Universidade Federal de Viçosa - UFV.
Fonte: Gerência de Transferência de Tecnologia da Embrapa Café - 10/4/2013
Sites: www.embrapa.br/cafe e www.consorciopesquisacafe.com.br