Fonte: CaféPoint / 22/8/2013
Pensando em orientar o cafeicultor na condução de seu negócio, uma das maiores autoridades do mundo em cafés especiais, o professor e pesquisador do Departamento de Engenharia da Universidade Federal de Lavras (UFLA), Flavio Meira Borém, destacou alguns pontos fundamentais de gestão, principalmente em momentos de crise.
Segundo ele, os produtores que, no início da safra, optaram pela qualidade da bebida não podem perder o foco, devem buscar o mercado correto para o café especial e, assim, ser remunerado justamente por ele. Borém destacou a importância da visão de empreendedorismo nestes tempos de crise.
“O produtor precisa entender que qualidade sempre acrescenta vantagens, nunca subtrai. Fazer café com qualidade não significa ter um custo mais elevado, pelo menos até o armazenamento. O processamento e a secagem é simplesmente fazer bem feito, colher na hora certa, processar da maneira correta para evitar que o café estrague. Não estou falando de melhorar de riado para duro. Estou falando de cafés finos, suaves. Faz toda a diferença nestes tempos de crise. Qualquer porcentagem da produção reservada como especial fará o valor médio da saca subir”, explicou o professor.
Já para os produtores de café commodity, Borém alerta que eles precisam estar atentos às tendências do mercado e dialogar com consultores. Para ele, a gestão de estratégias de mercado está totalmente alinhada com a qualidade e saber fazer essa gestão correta é fundamental, já que muitos fecham negócio rapidamente e não trabalham com outras alternativas, como o mercado futuro e demais modalidades.
O cafeicultor pode procurar entidades como o Centro de Inteligência em Mercados (CIM), que funciona no Departamento de Administração e Economia da UFLA, e que podem fornecer informações sobre as tendências de mercado, tanto interno quanto externo.
Outro aspecto importante para os cafés especiais é o armazenamento. O especialista recomenda que ao se identificar um lote especial de café já beneficiado, o produtor deve imediatamente retirá-lo do saco de juta e coloca-lo em embalagens a vácuo, impermeáveis ou em câmaras refrigeradas. No entanto, se ele estiver em pergaminho ou em coco, o cafeicultor deve mantê-lo assim por trinta dias e beneficiá-lo somente após o fechamento da venda.
“Quando o café especial é armazenado em sacos de juta, em 30 dias ele já alterou completamente seu sabor e aroma. Em três meses já é desclassificado como especial, principalmente por oxidação e por rancificação”, disse Borém.
O docente alertou também para os produtores que secam excessivamente o café. Ao invés de finalizarem a secagem com 11% de umidade, a grande parte está secando com até 9%. Porém, o pesquisador diz que não se deve nunca umedecer o café posteriormente.
Anúncio como membro do Comitê de Normas Técnicas da SCAA
Flavio Borém comentou ainda o anúncio feito pela Associação Americana de Cafés Especiais, que o elegeu como integrante do Comitê de Normas Técnicas. “A minha expectativa é poder colaborar nesse comitê como um pesquisador e professor, dar suporte ao comitê no desenvolvimento de pesquisas na UFLA, oferecendo colaboração concreta para pesquisar e gerar padrões com sustentação cientifica. Além de ser uma voz que vai lembrá-los dos naturais especiais. É fundamental rever os critérios de classificação dos naturais especiais”, explicou Borém.
As informações são do Polo de Excelência do Café.