Fonte: Estado de S.Paulo - 19/02/2015 - 13h39
Por Ricardo Brandt e Fausto Macedo
REDAÇÃO
# Presos há três meses sob acusação de cartel e corrupção em contratos da Petrobrás, cúpula da Camargo Corrêa negociava colaboração, em sigilo, com investigadores.
As negociações dos acordos de delação premiada de três executivos da Camargo Corrêa com delegados federais e procuradores da força tarefa da Operação Lava Jato – que eram conduzidas desde dezembro, em Curitiba – retrocederam nas últimas duas semanas.
Presos há três meses sob acusação de cartel e corrupção em contratos da Petrobrás, os executivos da Camargo Corrêa João Auler (presidente do Conselho de Administração), Dalton Avancini (presidente da construtora) e Eduardo Leite (vicepresidente) negociavam, em sigilo, suas delações premiadas com os investigadores da Lava Jato, em Curitiba.
Nas últimas semanas, as tratativas de delação dos três réus retrocederam. O acordo era duro, segundo uma das autoridades envolvidas na negociação, e serviria de “parâmetro para os demais colaboradores”.
Os termos previam que novas frentes de investigação seriam abertas e outras “ressuscitadas”, como o inquérito da Operação Castelo de Areia – que tiveram provas consideradas nulas pela Justiça. A operação investigou supostos crimes de corrupção do Grupo Camargo Corrêa, em 2009.
A Camargo Corrêa seria a primeira das grandes empreiteiras do cartel a ter executivo como delator da Lava Jato. O presidente da UTC Engenharia, Ricardo Pessoa, também está em negociação, enquanto já são delatores os executivos da Toyo Setal Julio Camargo e Augusto Mendonça. Segundo um dos investigadores da Lava Jato, os três executivos manifestaram interesse em colaborar com a Justiça desde o primeiro interrogatório.
Nas últimas semanas, porém, com a entrada de investigadores da ProcuradoriaGeral da Repúblicas nas negociações, os acordos voltaram à estaca zero. Em Curitiba, a avaliação das autoridades é que termos negociados até o momento traziam dados importantes a respeito de novas frentes em que a apuração da Lava Jato precisa evoluir. Procurados, os advogados de defesa dos três executivos da Camargo Corrêa não foram encontrados para comentar o caso.