19 de junho de 2013

Ex-diretor da Petrobras cria holding de mini-refinarias privadas no Brasil

Fonte: Folha de S. Paulo - 18/6/2013 - 12h12

DENISE LUNA

DO RIO

O ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa quer espalhar mini-refinarias moduladas pelo país.

Para isso, criou a REF Brasil, com capital brasileiro e americano, e já procura locais "do Rio para cima" para implantar as unidades.

Pré-moldadas, de origem americana ou chinesa, as mini-refinarias custam cerca de US$ 60 milhões cada uma e têm capacidade para processar 5 mil barris diários de petróleo.

O volume é uma gota diante dos 2 milhões de barris que Costa produzia nos seus últimos anos de Petrobras, mas uma ótima solução, na opinião do executivo, para locais próximos à produção de pequenos volume de petróleo em terra e com logística cara.

"É viável montar até quatro módulos juntos e, se der muito certo, até oito", explicou Costa, já instalado em sua consultoria Costa Global, na Barra da Tijuca.

Ele diz que na Costa Global exerce a função de casamenteiro, juntando investidores com técnicos e empresas para realizar projetos como esse.

Outro que ainda está no berço é um estaleiro para reparos navais, antecipa.

Sem temer críticas por utilizar a experiência acumulada em 35 anos de Petrobras, "se não fizesse isso ia fazer o que?", Costa acredita que as mini-refinarias vão ajudar inclusive a empresa que deixou no ano passado.

"Cada barril que eu produzo é menos um barril que a Petrobras importa", diz.

As refinarias vão produzir apenas gasolina, diesel, óleo combustível e bunker (combustível de navio).

Ele também afasta a hipótese de ter os mesmos problemas da estatal com o preço defasado em relação ao mercado internacional.

REFINARIAS MAIS BARATAS

Além das mini-refinarias serem bem menos complexas e mais baratas para operar do que as gigantescas unidades da Petrobras, a instalação será feita em lugares onde a logística de distribuição é mais complicada, ou seja, a base de comparação de preços também é maior.

"É o pulo do gato, colocar onde tem mercado e produção perto, mas que a Petrobras tem dificuldade de atender. Isso vai dar baixo custo e ter margem com o produto, mesmo com defasagem, e uma hora tem que ter ajuste de preços", explica.

Essas unidades levam entre 16 e 18 meses para ficarem prontas, bem mais rápido do que as intermináveis unidades da estatal.

A REF Brasil já nasce com quatro subsidiárias para facilitar acordos em diferentes locais.

Sem querer revelar detalhes, Costa explica que já iniciou procedimentos para a compra dos terrenos e licenciamento ambiental.

Depois que a licença prévia for obtida, a REF Brasil irá à ANP (Agência Nacional do Petróleo) obter autorização para a construção e à Petrobras para negociar a compra de petróleo.

Já a venda dos derivados não está garantida à BR Distribuidora, braço de distribuição da estatal, e poderá ter outros parceiros, informa.

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