12 de julho de 2013

Estivadores suspendem protesto diante de reunião marcada para segunda

A Tribuna On-line - 12/7/2013 - 13h55

Os sindicatos dos operários portuários (Sintraport) e dos estivadores suspenderem a manifestação que fariam na tarde desta sexta-feira, atrás da Alfândega de Santos. Isso porque a Empresa Brasileira de Terminais Portuários (Embraport) marcou negociação para segunda-feira, em horário ainda a ser definido, sobre a utilização de mão-de-obra em seu terminal.

Por volta das 12h30, sindicalistas e trabalhadores receberam, com aplausos e abraços, os seis últimos portuários a sair do navio ‘Maersk La Paz’, ocupado por 93 companheiros, na tarde de quinta-feira. O navio saiu da Embraport, na manhã desta sexta-feira, e atracou no terminal de contêineres da Santos Brasil, também localizado na margem esquerda do porto.

Deixou o terminal

O navio Maersk La Paz, ocupado por manifestantes portuários na tarde de quinta-feira, deixou o terminal da Empresa Brasileira de Terminais Portuários (Embraport),  localizado na margem esquerda do Porto, do lado de Guarujá, por volta das 12h30 desta sexta. De acordo com a Polícia Federal, o próximo destino da embarcação é um terminal da Santos Brasil, localizado também na margem esquerda, próximo ao da Embraport.

O protesto dos estivadores, que pedem a contratação da Embraport de acordo com o regime de escalação do Órgão Gestor de Mão de Obra (Ogmo), teve início na tarde desta quinta-feira e durou 12 horas. O terminal opta pelo sistema de Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT).

Cerca de 10 estivadores, que permaneciam na embarcação, desembarcaram no cais, no momento que o navio se dirigia ao terminal da Santos Brasil. Neste local, o Maersk La Paz poderá ser operado pelos trabalhadores cadastrados no Ogmo.

Quase 100 trabalhadores, que ainda ocupavam o navio com bandeira de Hong Kong, deixaram a embarcação na madrugada desta sexta-feira.

Detidos

O impasse envolvendo os trabalhadores terminou com a detenção de dois líderes sindicais da categoria. O presidente em exercício do Sintraport, Claudomiro Machado, o Miro, e o presidente do Sindicato dos Estivadores, Rodnei Oliveira da Silva, o Nei, bateram boca com policiais e acabaram detidos na noite de quinta-feira. De acordo com a Polícia Federal, os dois foram liberados horas depois, mas serão indiciados por invadirem um terminal particular.

Os ânimos ficaram acirrados por conta da apresentação de uma nova liminar expedida pela Justiça. O documento, expedido às 21 horas, ratificava a desocupação do terminal e cobrava multa diária de R$ 50 mil com repasses de 1% desse valor pra Justiça e 20% à Embraport.

Comunicado

Em nota, a Embraport informa que está aberta ao diálogo e que as atividades da empresa estão voltando à normalidade. A empresa faz ainda um levantamento "sobre os danos causados pelos invasores à empresa e ao navio, e também se fará análise das imagens captadas pelas câmeras do sistema de segurança para a identificação de responsáveis".

O comunicado diz ainda que a empresa considera que "a violência e agressão de que foi vítima atingem também, indiretamente, os mais de 500 trabalhadores já contratados pela empresa, e ameaçam comprometer mais de mil outros empregos diretos que serão oferecidos ao longo dos próximos dois anos, todos com direito a carteira assinada e às vantagens e garantias oferecidas pela CLT". A empresa ressalta que já assinou Acordo Coletivo de Trabalho com outros três sindicatos, que representam 90% da mão de obra do terminal.

E diz ainda que, graças a liminar obtida pela empresa na Justiça, impondo multa diária de R$ 50 mil passível de aumento para R$ 100 mil em função da continuidade do descumprimento da ordem judicial, os manifestantes que renderam guardas de segurança e invadiram o terminal portuário da empresa deixaram o local na noite de ontem (quinta-feira).

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