29 de novembro de 2013

Em meio a clamor pela Zona Franca, Manaus sedia feira internacional de negócios

Fonte: Folha de S. Paulo - 28/11/2013 - 18h59

LUCAS REIS

DE MANAUS

Em meio ao clamor de políticos do Amazonas pela prorrogação por mais 50 anos do modelo da Zona Franca, a cidade de Manaus sedia a sétima edição da Feira Internacional da Amazônia, realizada pela Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus) até sábado (30).

A expectativa é que mais de 60 mil pessoas visitem a feira durante os quatro dias, movimentando R$ 24 milhões em rodadas de negócios. Ao todo, são mais de 300 expositores, entre empresas do polo industrial da cidade, bancos, federações, Estados da Amazônia e países da América do Sul, totalizando um investimento de R$ 6,2 milhões para a realização do evento.

Na tarde de quarta-feira (27), durante abertura do evento, o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto (PSDB) e o governador do Estado, Omar Aziz (PSD), reforçaram o pedido para que a presidente Dilma Rousseff cumpra promessa e aceite a prorrogação dos incentivos fiscais do polo industrial, que terminam em 2023.

"Não prorrogar [a Zona Franca] seria uma desgraça, um desastre", disse o prefeito. "Temos urgência pois, a partir de agora, começa um desestímulo para novos investimentos no local."

A PEC (Proposta de Emenda Constitucional) que prorroga o modelo, porém, está parada no Congresso desde o início deste mês, por divergências com o governo federal em relação a emendas que prorrogam benefícios fiscais previstos na Lei de Informática e em outras áreas de livre comércio.

"De zero a dez, a probabilidade da Zona Franca ser prorrogada por mais 50 anos é 11. É um compromisso da presidente Dilma com o Amazonas e Manaus. Ela foi clara: 'Não vou me envergonhar e não serei desmoralizada. Tenho compromisso com Manaus e prorrogaremos a Zona Franca por mais 50 anos'", disse o governador.

PROBLEMAS

O prefeito Arthur Virgílio afirmou que a simples prorrogação do sistema do polo industrial não resolverá a maior parte dos problemas do Estado.

"Prorrogaremos, e vamos perceber que não aconteceu nada de mais. Prorrogar é fazer o que é normal. É preciso investimento maciço em infraestrutura, precisamos de hidrovias, estrutura aeroportuária, não temos aberta a rodovia BR-319 [Manaus-Porto Velho], precisamos de uma saída por estrada, tecnologias, mão de obra", disse. "Aqui não é um paraíso fiscal, recolhemos 64% dos tributos federais da região Norte", completou.

Em resposta, o governador Aziz atribuiu aos impedimentos legais a falta de investimento no Estado. "Não temos logística e infraestrutura e nem vamos ter nos próximos dez, 15, 20 anos. A iniciativa privada, todas as vezes que tenta fazer algo na nossa região, se depara com problemas ambientais. A Zona Franca não é apenas um polo industrial, mas um polo de desenvolvimento da região, essencial para a sobrevivência do Amazonas", afirmou.

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