Fonte: Brasil Econômico - 3/3/2015 - 11h41
Atualizado em: 3/3/2015 - 12h55
# Dos 100 chineses mais ricos, 36, com fortunas somadas de US$ 191 bilhões, estão em órgãos como a Assembleia Nacional do Povo e a Conferência Consultiva Política do Povo Chinês
Redação Brasil Econômico
redacao@brasileconomico.com.br
Os magnatas chineses do século XXI usufruem mais do que nunca do lema cunhado pelo líder Deng Xiaoping (1904-1997), responsável pela abertura econômica do país, segundo o qual “Enriquecer é glorioso”. Cinco das 10 pessoas mais ricas na China governada pelo Partido Comunista vão participar em duas das mais importantes reuniões políticas anuais do país, ressaltando a influência cada vez maior dos magnatas chineses. A partir desta semana começam as sessões anuais da da Assembleia Nacional do Povo, principal órgão legislativo da China, e da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês, de caráter consultivo.
Ambas as Câmaras são parte do imenso aparato institucional do regime chinês, nas mãos do Partido Comunista. Estas sessões são acompanhadas pelo mundo todo porque traça um cenário geral das condições econômicas e políticas do país, estabelece uma agenda para o ano vigente e faz uma apresentação das linhas mestras da política externa do país.Entre os 100 chineses mais endinheirados, 15 são delegados da Assembleia Nacional e 21, da CPPCC. A fortuna total destes 36 magnatas supera US$ 191 bilhões, mais do que o PIB do Vietnã, segundo informação do diário local “Xin Wenhua Bao”.
Se forem considerados os 1271 chineses mais endinheirados do país, um total recorde de 203 são integrantes de um dos dois colegiados políticos, segundo relatório da publicação Hurun, com sede em Xangai. O patrimônio líquido deste grupo chega a um total de US$463 bilhões, mas em média cada um destes bilionários tem uma fortuna de US$ 2,3 bilhões. Fundada em 1999, a Hurun também publica revistas sobre os ricos da China e organiza eventos públicos com marcas de luxo.
Ser membro da assembleia Nacional do Povo ou da CPPCC é sinal de aprovação política no país. As autoridades que são expulsas inevitavelmente são processadas em seguida . Ter assento em qualquer um dos órgãos políticos é considerado fundamental para a elite financeira, que pode, como delegado, ter acesso aos mais altos escalões do partido e do governo. Trata-se de um sinal claro aos parceiros de negócios sobre o poder de fogo político desses delegados-empresários.
Mas a existência de delegados super-ricos nas sessões destes colegiados são muitas vezes foco de atenção pública negativa. Alguns bilionários são criticados por exibir exageradamente a sua influência ou por fazer lobby para políticas governamentais favoráveis às suas próprias indústrias. Entre os bilionários-delegados da Assembleia Nacional do Povo estão o magnata da indústria de bebida Zong Qinghou, classificado em terceiro lugar na lista Hurun da elite chinesa. Pony Ma, executivo da gigante da Internet Tencent, é quinto mais rico da lista Hurun. Lei Jun, diretor de empresas de smartphones Xiaomi, está na décima colocação. Li Hejun, magnata da energia solar chinesa, recentemente alçado à condição de o homem mais rico da China, vai participar da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CPPCC), órgão, que não tem poder de decisão, mas usufrui de forte influência. Outro que pertence ao CPPCC é Robin Li, dirigente da Baidu, equivalente à Google na China.
Historicamente, participam das reuniões destes órgãos institucionais burocratas, militares, minorias étnicas, estrelas de cinema, e cada vez mais magnatas. A teoria das “três representatividades”, introduzida pelo ex-presidente Jiang Zemin em 2001, levou à integração dos empresários e outras “forças produtivas” ao Partido Comunista Chinês e aos órgãos políticos do país. Antes disso, a representação política estava nas mãos de camponeses, operários, militares e intelectuais. Donos de terras e capitalistas eram perseguidos no início da revolução. Empresários tinham apenas permissão oficial para se unir ao Partido Comunista durante os anos 90, quando Jiang Zemin passou a pregar a ideia de abrir o leque de participação do colegiado político no coração do comando do gigante asiático.
A primeira Constituição da República Popular da China foi aprovada durante a primeira reunião da Assembleia Nacional do Povo em 1954, estabelecendo o sistema socialista. As reformas econômicas que transformaram o destino da China a partir do fim dos anos 70, na Era de Deng Xiaoping, foram endorsadas por estes colegiados políticos da estrutura de poder de Pequim.
O boom econômico chinês tirou centenas de milhões de pessoas da pobreza mas também criou imensa concentração de renda. As sessões anteriores da Assembleia Nacional do Povo e da CPPCC prometeram ajudar os pobres, assegurando que iria promovera diminuição das disparidades entre ricos e pobres.
Como nos anos anteriores, o premiê Li Keqiang deverá apresentar um relatório do governo no qual estabelecerá a meta anual de crescimento. Segundo a agência de notícias “Xinhua” a China poderá revisar ainda mais para baixo a meta de crescimento econômico para 2015 durante estas sessões legislativas, de acordo com previsões de especialistas chineses e estrangeiros. A meta de crescimento do ano passado ficou em torno de 7,5%. Mas a economia chinesa não chegou a alcançá-la: registrou uma taxa de 7,4% com relação ao ano anterior. Esse novo patamar de crescimento é chamado oficialmente de “o novo normal”.
A última vez que a China rebaixou sua previsão de crescimento econômico foi em 2012, quando a taxa de 8%, que permanecia por sete anos seguidos, acabou sendo cortado em meio ponto percentual. As lideranças chinesas têm indicado que uma taxa de expansão mais baixa, de cerca de 7%, seria aceitável. “Mesmo uma taxa de crescimento de cerca de 7% colocaria a economia chinesa entre as principais do mundo em termos de ritmo de crescimento e de volume”, disse o presidente do país, Xi Jinping, durante a cúpula da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec), realizada em novembro do ano passado, em Pequim.As projeções mais pessimistas incluem a do Fundo Monetário Internacional (FMI), segundo as quais a previsão de crescimento ficarão em 6,8% em 2015. Justin Yifi Lin, ex-economicista-chefe e vice-presidente do Banco Mundial, no entanto, manteve, em janeiro, a projeção de que o crescimento chinês ficará entre 7% e 7,5% por mais 10 a 15 anos. Com Agências