08 de maio de 2015

Dólar cai para menos de R$ 3 após relatório de emprego nos EUA

Fonte: Folha de S. Paulo - http://www.folha.uol.com.br/ - 8/5/2015 - 12h07 - Atualizado às 12h33

DE SÃO PAULO

Após ter começado o dia em alta, o dólar passou a cair em relação ao real nesta sexta-feira (8), com investidores minimizando a recuperação da criação de empregos nos Estados Unidos em abril e concentrando-se no aumento menor que o esperado da renda média por hora, que pode ser um sinal de que a inflação ainda não está ganhando ímpeto na maior economia do mundo.

Às 12h05 (de Brasília), o dólar à vista, referência no mercado financeiro, registrava desvalorização de 1,96%, cotado em R$ 2,987 na venda. No mesmo horário, o dólar comercial, usado no comércio exterior, cedia 1,28%, também para R$ 2,987.

Embora a criação de vagas de trabalho tenha ficado praticamente em linha com as expectativas em abril, levando a taxa de desemprego à mínima em quase sete anos, a renda média por hora subiu apenas 0,1%. Além disso, o dado de março foi revisado para o menor nível desde junho de 2012.

Na quarta-feira, outro indicador americano havia mostrado que o setor privado dos EUA abriu 169 mil vagas de trabalho no mês passado, menor número desde janeiro de 2014 e muito abaixo das expectativas de analistas.

Ambos os resultados podem abrir espaço para o Federal Reserve (banco central dos EUA) manter os juros em seu atual patamar por mais tempo, enquanto espera para ver sinais mais consistentes de que a inflação está acelerando em direção a sua meta. A taxa básica de juros naquele país está, desde 2008, entre 0% e 0,25% ao ano –menor nível histórico.

Uma alta dos juros americanos deixaria os títulos do Tesouro dos EUA –que são remunerados por essa taxa e considerados de baixíssimo risco– mais atraentes do que aplicações em mercados emergentes, provocando uma saída de recursos dessas economias.

A menor oferta de dólares tenderia a pressionar a cotação da moeda americana para cima, por isso a possibilidade de que o aumento demore mais para ocorrer tem efeito contrário no mercado, estimulando a queda na cotação do dólar sobre o real.

AJUSTE

"Havia uma expectativa de que os dados de emprego fossem fortes o suficiente para sugerir um aumento antecipado dos juros, e isso foi precificado no mercado americano nesta semana. Como os resultados não foram muito animadores, o mercado vai ajustar suas apostas nesta sessão", disse José Francisco de Lima Gonçalves, economista-chefe do Banco Fator.

A avaliação de Gonçalves é que questões internas, como a definição do ajuste fiscal, devem continuar exercendo mais influência sobre a cotação do dólar ante o real. "O IPCA [indicador oficial da inflação no Brasil] divulgado hoje, por exemplo, veio sem surpresa. E o fato de não ter surpresa já virou boa notícia por aqui, ajudando a conter o dólar."

A atuação do Banco Central no câmbio também segue no radar dos investidores. Nesta sexta, a autoridade monetária brasileira rolou para 2016 os vencimentos de 8,1 mil contratos que estavam previstos para o início de junho, em um leilão que movimentou US$ 391,6 milhões. A operação é equivalente à venda futura de dólares.

Se mantiver esse ritmo até o final de maio, o BC rolará apenas 80% do lote total de contratos de swap com vencimento no início do próximo mês, que corresponde a US$ 9,656 bilhões.

MERCADO DE AÇÕES

O relatório de emprego americano impulsionou as Bolsas dos EUA nesta sexta-feira, e os principais índices de ações daquele país abriram em alta de mais de 1%.

No Brasil, o Ibovespa, referência para o mercado nacional, chegou a abrir em alta, mas perdeu força e passou a operar no vermelho, influenciado pela realização de lucros (quando investidores vendem ações compradas por um preço mais barato) nos papéis de importantes companhias, como Petrobras e Vale.

Às 12h05, o Ibovespa tinha ligeira desvalorização de 0,17%, para 56.826 pontos. O volume financeiro girava em torno de R$ 2,3 bilhões. No mesmo horário, as ações preferenciais, mais negociadas e sem direito a voto, de Petrobras e Vale caíam, respectivamente, 2,04% e 1,04%.

Com Reuters

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