Fonte: A Tribuna - 25/11/2014 - página C-1, Porto & Mar
# Segundo fase da avenida da Margem Esquerda, em Guarujá, resolverá problemas de trânsito da Av. Santos Dumont, na zona portuária
DA REDAÇÃO
Quatro quilômetros de pistas e duas pontes, sendo uma estaiada e outra convencional, com o objetivo de segregar o tráfego urbano do portuário. Trata-se do projeto básico da 2ª fase da Avenida Perimetral da Margem Esquerda (Guarujá) do Porto de Santos, apresentado ontem pela Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) para A Tribuna. Segundo o órgão, que supervisiona o empreendimento, o projeto-executivo deve ser concluído até abril. A obra está orçada em R$ 300 milhões, valor previsto na segunda etapa do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC-2).
A Prefeitura de Guarujá e a Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) foram os primeiros órgãos a conhecer detalhes do empreendimento, cujo projeto foi elaborado pelo consórcio Enescil-ECR, escolhido a partir de uma licitação. “Todas as proposições de solução de traçado e de obras de arte foram aprovadas emreuniões técnicas com a Prefeitura de Guarujá. É um projeto que nasceu há alguns anos e a gente vem consolidando. Agora, com o detalhamento, aprovamos o projeto básico pela diretoria-executiva”, destacou o diretor de Infraestrutura e Execução de Obras da Codesp, Paulino Moreira da Silva Vicente.
Nas próximas semanas, o projeto será apresentado à Ecovias, concessionária que administra o Sistema Anchieta-Imigrantes (SAI), já que as intervenções serão feitas nas proximidades da Rodovia Cônego Domênico Rangoni (que integra o SAI).
Segundo Vicente, a 2ª fase da Perimetralde Guarujá eliminará por completo o principal conflito entre o Porto e a Cidade na região, que é o intenso trânsito na Avenida Santos Dumont, no Distrito de Vicente de Carvalho (onde fica a zona portuária). Utilizada como acesso aos terminais da Margem Esquerda, a via é bastante usada pelos moradores. A Santos Dumont tem cinco pistas destinadas ao tráfego portuário. Três delas são para veículos que seguem em direção ao Porto e duas faixas são reservadas para quem deixa o complexo.
Para atender ao tráfego de veículos leves, existem outras quatro pistas. Duas são utilizadas por veículos que seguem para Vicente de Carvalho e outras duas para motoristas que vem daquela região. No total, em dois quilômetros de extensão, serão construídas duas rotatórias.
PONTES
Na Avenida Santos Dumont, para segregar o tráfego urbano do portuário, a Codesp optou por construir uma ponte. Ela terá 990 metros de comprimento e quatro faixas. Será usada somente por veículos de passeio, atendendo ao fluxo urbano. A obra de arte terá seu início nas proximidades do terminal da Dow Química e seu fim, sobre o Rio Santo Amaro. A ponte que já existe no local será demolida para a construção da nova. “Embora seja uma ponte muito grande, de quase um quilômetro, ela é uma ponte convencional, com vãos normais.
E os caminhões que saem e vão para São Paulo e os que vêm do Guarujá para o Porto entrarão pelas alças na ponte estaiada”, explicou o diretor.
Conforme o executivo, dois fatores foram determinantes para a escolha do tipo da ponte.
O primeiro foi o fato de que os pilares de sua estrutura não poderiam ser instalados na Dômenico Rangoni porque ela não tem canteirocentral. O projeto final prevê 80 metros de vão entre cada pilar. Assim, as estruturas não impedirão o tráfego na rodovia. A altura da obra de arte – consequentemente, a extensão de sua rampa de acesso – foi o outro ponto levado em consideração.
Ela tem um pé direito de 6,7 metros, dimensão considerada pequena em comparação com outros empreendimentos.
A ponte aindaterá uma estrutura diferenciada por ser construída em forma de curva. A estimativa de Vicente é de que esta seja a primeira frente de trabalho do empreendimento e deverá ser concluída em 12 meses. Somente após sua entrega, terão início a remodelação da Avenida Santos Dumont e a construção da outra ponte.
DESAPROPRIAÇÕES
Segundo Paulino, dez imóveis vão precisar ser desapropriados para a construção da Avenida Perimetral. A maioria deles pertence a terminais portuários da região, como os dois terrenos particulares, da multinacional Dow Química e do grupo brasileiro Fassina, usados hoje como um novo acesso à Margem Esquerda. Os dois foram alugados pela Codesp para a construção de uma pista em direção ao Porto. A via tem 600 metros de comprimento e 50 de largura e interliga a Rodovia Cônego Domênico Rangoni à Avenida Santos Dumont. Ela será integrado à 2ª fase da Avenida Perimetral. “A segunda fase vai coroar a Avenida Perimetral da Margem Esquerda. Com ela, o sistema viário passa a ter sentido e se equaciona o problema de trânsito, com ciclovia e sinalização, além de desarticular a necessidade da Rua do Adubo (Rua Idalino Pinez)”.
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# Em Santos, Codesp planeja licitações
Na Margem Direita do Porto, em Santos, a Companhia Docas do Estado de São Paulo pretende abrir uma licitação para a construção do segundo trecho da Avenida Perimetral na Cidade, que será implantado entreCanal 4 (Macuco) e o bairro do Estuário. O primeiro trecho concluído vai da Praça Barão do Rio Branco ao Canal 4. O planejamento executado pela Autoridade Portuária visa melhorar o trânsito de caminhões em direção ao complexo santista e reduzir o conflito rodo-ferroviário que persiste em algumas áreas.
Além da obra entre o Macuco e o Estuário, haverá mais duas etapas. Uma delas é a construção da Perimetral entre a Alemoa e o Saboó e a outra, a implantação do Mergulhão, a passagem rodoviária subterrânea em frente aos armazéns do Valongo.
A implantação da via expressa entre a Alemoa e o Saboó será licitada após o segundo trecho, segundo o diretor presidente da Codesp, Angelino Caputo e Oliveira. Essa parte da obra será dividida em três subtrechos. O primeiro terá 1.540 metros de extensão e irá do Viaduto Paulo Benevides até as proximidades do Rio Saboó (que passa ao lado das instalações da Brasil Terminal Portuário, a BTP).
O segundo subtrecho prevê a construção de dois viadutos sobre o Rio Saboó. Eles vão ordenar o fluxo de veículos em direção aos terminais e permitir que as obras sejam executadas por partes, em função das características do tráfego na região.
Já a terceira etapa se estende por 1.175 metros, entre o Rio Saboó e as proximidades da Rua Senador Christiano Otoni, nas proximidades do futuro Mergulhão, no Valongo.
O projeto das avenidas perimetrais integra o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do Governo Federal.
Em relação ao Mergulhão, ainda será preciso estudar uma forma de reduzir as dimensões do empreendimento. Isto porque seu custo foi avaliado em R$ 820 milhões, superior ao previsto pelo Governo Federal.
A ideia é gastar apenas R$ 310 milhões na obra. Para diminuir o valor, uma opção é encurtar em até 240 metros a passagem subterrânea. Ao invés de 970 metros, a estrutura teria, no máximo, 730 metros – mais 200 metros de cada lado para as rampas de acesso, o que somaria 1.130 metros de comprimento total.