15 de junho de 2015

Concessionárias são as mais beneficiadas com novo pacote

Fonte: A Tribuna - http://www.atribuna.com.br/ - 14/6/2015, página C-4, Economia

# Santos-Brasil, Log-In e Arteris, com operações na região, podem conseguir renovar concessões no curto prazo

DE SÃO PAULO

Apesar da decepção do mercado quanto ao anúncio na semana passada do novo pacote de concessões, em especial no que diz respeito aos aditivos contratuais para as atuais concessionárias, analistas de mercado citam CCR, Rumo e Arteris, além de Santos Brasil e Log-In como as empresas que mais podem se  beneficiar no curto prazo, inclusive com reflexo nas ações em bolsa.

Parte dos investidores esperava um anúncio mais firme de assinatura de aditivos, mas o governo apenas indicou as negociações em andamento, o que executivos das empresas e alguns especialistas consideraram positivo, como uma sinalização mais clara de que o governo efetivamente quer chegar a um acordo e conta com esses investimentos para impulsionar o setor.

Para o Bank of America Merrill Lynch, alguns aditivos podem ser assinados ainda no segundo semestre deste ano, enquanto outros devem ficar para 2016. O banco não indicou quais negociações espera que sejam concluídas em 2015, mas destacou a inclusão de obras da concessionária Nova Dutra, da CCR, que exigiriam investimentos de R$ 2,3 bilhões. “Detalhes sobre as compensações ainda faltam neste estágio, mas são esperadas. A compensação seria em extensão de prazo ou aumento da tarifa”, comentou a equipe de análise do Bank of America.

O próprio presidente da CCR, Renato Vale, diz que as discussões estão avançadas, com negociações sobre minuta de aditivo e fluxo de caixa marginal “praticamente concluídas”.

“A questão agora é partir para decidir isso”, afirmou, defendendo que se o aditivo for assinado no próximo trimestre, a CCR Nova Dutra poderia iniciar as obras ainda este ano.

O Credit Suisse também destacou o potencial de aditivos para Arteris e para a Rumo. No caso da Arteris, o governo listou potenciais obras adicionais em quatro de suas concessões federais existentes, somando R$ 5,2 bilhões em investimentos.

O Brasil Plural também citou Santos Brasil e Log-In como potenciais beneficiárias de aditivos de contrato. A primeira busca a renovação do arrendamento do Tecon Santos, que foi mencionado como um dos projetos previstos, com investimento de R$ 3,16 bilhões. O montante está em linha com o que foi anunciado pela companhia no ano passado e já foi aprovado pela agência reguladora, a Antaq.

“Nenhum detalhe foi dado, se a renovação já foi concedida ou não - esperamos um anúncio no curto prazo”, comentam os analistas. “No entanto, se o terminal ganhar novos serviços de navegação, e aumentar a eficiência, a importância da renovação cresce exponencialmente”, acrescentaram.

No caso da Log-In, os profissionais notaram que a renovação da concessão do Terminal de Vila Velha (TVV) também foi incluída no pacote de investimentos portuários, com investimentos de R$ 148,4 milhões, o mesmo número que a companhia anunciou em dezembro passado. (Estadão Conteúdo)


# Expectativa

“Se o terminal (Santos-Brasil) ganhar novos serviços de navegação, e aumentar a eficiência, a importância da renovação cresce exponencialmente”

Brasil Plural, em análise ao mercado


# Programa de infraestrutura anima setor de seguros

Os mais de R$ 198 bilhões do novo pacote de concessões de infraestrutura do governo, lançado na semana passada, são uma oportunidade bilionária para reaquecer o mercado de seguros de grandes riscos. Há, contudo, receio por parte de seguradoras e resseguradoras quanto às obras que efetivamente sairão do papel.

Com leilões de rodovias, ferrovias, portos e aeroportos, a segunda fase do Programa de Investimento com Logística (PIL) tende a movimentar bilhões em seguros de garantia (que garantem que uma obra seja concluída conforme previsto em contrato), de engenharia, riscos operacionais, transportes.

Uma fonte diz que alguma repercussão para a indústria de seguros pode ocorrer neste ano, mas nada que mude sobremaneira o volume de negócios uma vez que boa parte dos projetos é para 2016.

Valores exatos em prêmios de seguros ainda são difíceis de serem mensurados já que um cronograma mais preciso de licitações ainda não foi divulgado e é ansiosamente aguardado pelo mercado.

“Rodovias e aeroportos já têm modelos de concessão que tiveram relativo sucesso no passado e são obras mais simples, o que significa que a licitação e a contratação dos seguros devem acontecer relativamente rápido”, diz Guilherme Perondi, vice-presidente da resseguradorada alemã Allianz (AGCS).

Segundo ele, a expectativa é de que as concessões de rodovias e aeroportos gerem apólices ainda neste ano. Ferrovias e portos vão depender, conforme Perondi, do modelo final a ser adotado pelo governo. (Estadão Conteúdo)

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