Fonte: Época - 13/11/2013 - 13h07
# A rede de cafeterias Santo Grão cresce motivando os funcionários a entender de gestão e até a se tornar sócios das novas unidades
CELSO MASSON
Atualizado em 13/11/2013 15h59
Tomar café, no Brasil, costuma ser uma boa desculpa para encontrar os amigos. A constatação é do neozelandês Marco Kerkemeester, de 47 anos, há mais de dez vivendo em São Paulo.
Filho de holandeses, ele chegou a dirigir a divisão Ásia e Pacífico da IBM antes de encontrar, numa esquina da Rua Oscar Freire, nos Jardins, o seu Santo Graal – neste caso, o Santo Grão. “Quando vim para o Brasil, já pensava em montar um negócio próprio”, diz Marco, casado com uma brasileira e pai de dois filhos nascidos aqui. “Pensei em continuar trabalhando com tecnologia, mas mudei de ideia ao me dar conta de que era difícil encontrar um bom café na cidade.”
Ao trocar não apenas de país, como também de área profissional, Marco fez uma pergunta a si mesmo: “Com quem eu gostaria de passar o resto de minha vida?”.
A resposta foi um tanto genérica (“com pessoas interessantes”), mas ajudou a moldar o plano de negócio que está por trás do sucesso da rede Santo Grão, hoje com 180 funcionários em sete unidades, de onde saem 300 mil xícaras de café por mês.
Em seu peculiar modelo de gestão, há alguns princípios pouco ortodoxos.
Primeiro: cada funcionário é livre para fazer o que quiser. Tamanha confiança na autonomia e na autenticidade alheia já exigiu uma adequação. “Havia um funcionário que chegava sempre 20 minutos atrasado. Falei-lhe que poderia chegar no horário que quisesse, mas que eu também estaria livre para fazer o que eu quisesse. E o que eu quis foi contratar alguém que chegasse às 8 horas, e não às 8h20.”
O episódio ensinou que era preciso criar nos funcionários um comprometimento real com o trabalho, um desejo de estar ali não apenas pelo salário ou pelas oportunidades. “Eu quero pessoas aqui, não garçons”, diz Marco, que passou então a recrutar apenas gente com quem gostaria de tomar café. “A palavra que me orienta é integridade.”
A segunda característica pouco usual do estilo Santo Grão de empreender aparece no item treinamento.
Além de formar baristas, degustadores e até consultores para novas cafeterias, Marco acredita plenamente num método que pode transformar a mentalidade dos colaboradores. “Investimos pesado em educação neurolinguística”, diz.
A estratégia, segundo ele, é promover o crescimento da marca a partir das pessoas. “Temos pessoas maravilhosas na equipe. Queremos que elas continuem conosco. Se não puderem crescer aqui, eu as perco.”
Depois de treinados e capacitados para novos desafios, os funcionários são encorajados a abrir suas próprias lojas, tornando-se sócios. “O Santo Grão de Curitiba foi montado por um funcionário que decidiu levar a rede para lá. Nós ajudamos”, diz Marco.
Para ele, cada pessoa tem um grão dentro de si. “Nosso negócio é criar o ambiente, para que o grão se desenvolva plenamente.”
De grão em grão
A receita de sucesso do criador do Santo Grão
- Estimular o crescimento dos colaboradores para que se tornem sócios da marca (cada nova casa aberta tem um ex-funcionário na sociedade)
- Investir na formação e profissionalização dos funcionários, com cursos de barista, degustação e até de gerenciamento das finanças pessoais
- Promover o comprometimento e a fidelidade à empresa desde o processo seletivo: “Escolhemos as pessoas com quem gostamos de tomar café”, diz Marco
- Com 180 funcionários em sete unidades, a rede atende 2 mil clientes por dia, servindo mensalmente mais de
300 mil cafés e 7 mil pratos
- Um dos valores da marca é tornar cada unidade um “ambiente de estar”, que funcione como ponto de encontro sem intervalo, de manhã até a noite