10 de dezembro de 2014

Autoridades vão definir novo limite de calado

Fonte: A Tribuna.com.br - 9/12/2014 - 16h57

Fernanda Balbino

# Redução de calado pode aumentar volume de cargas

O Porto de Santos terá um novo limite para o calado operacional dos navios (distância vertical da parte da embarcação que permanece submersa) a partir de terça-feira (9). Nesta tarde, em uma reunião com representantes da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) e da Praticagem de Santos, a Capitania dos Portos de São Paulo (CPSP) definirá esse novo valor, a ser aplicado em três trechos do canal de navegação, que vão da Barra de Santos até o Armazém 6, no Paquetá.

“Os dados chegaram no final da tarde de quinta-feira. A Codesp, através da Hidrotop, faz a medição das profundidades se encaminha para o CHM (Centro de Hidrografia da Marinha), quem anda para a Capitania. Esses dados já estão sendo avaliados e até terça-feira teremos uma conclusão”, explicou o capitão-de-mar-e-guerra Ricardo Fernandes Gomes, que é comandante da CPSP.

Aumentar o cala do operacional de todos os trechos do canal é fundamental para garantir a competição entre todos os terminais portuários do complexo. Assim, instalações localizadas em qualquer ponto do complexo poderão receber navios com as mesmas dimensões.

Hoje, o Porto de Santos tem cinco calados operacionais distintos. Em todos os casos, aumenta-se um metro em período sempre que a maré está alta.

No trecho 1, que compreende a região entre a entrada da Barra e o Entreposto de Pesca, navios com até 13,2 metros de calado podem trafegar. Já no trecho 2, que vai do Entreposto de Pesca à Torre Grande, 13 metros é o limite em períodos de maré baixa.

As dimensões são reduzidas conforme se avança pelo canal de navegação. Na região entre a Torre Grande e o Armazém 6, no Paquetá, que compreende o trecho 3, apenas navios com 12,7 metros podem chegar até os terminais.

Já o trecho 4 foi subdividido em dois. Do Armazém 6 até as proximidades da Brasil Terminal Portuário (BTP), embarcações com até 12,6 metros de calado podem trafegar, após a doação da dragagem feita pelos terminais daquela região. Enquanto isso, da instalação que fica na Alemoa em diante, a restrição para o calado é de 11,2 metros.

Segundo o comandante da CPSP, o levantamento hidrográfico que será avaliado hoje se refere apenas aos trechos 1,2 e 3 do canal de navegação. Neste caso, ainda não há expectativa de dimensão do novo calado. Ele será conhecido nesta terça-feira(9).

Existe ainda um outro levantamento hidrográfico feito apenas nas proximidades da BTP, no trecho 4. Este ainda não foi entregue à Capitania dos Portos, mas, caso tenham sido aprofundados todos os pontos de baixa profundidade, o comandante da CPSP acredita que o trecho possa ter o calado de 13 metros ou 14 metros em períodos de maré alta.

Pontos críticos

De acordo com o capitão dos portos, há pontos em que o assoreamento (deposição de sedimentos, tornando o canal mais raso) é maior. Estes são os locais que precisam de maior atenção ao se verificar as profundidades obtidas após as obras de dragagem.

O primeiro fica entre as boias 2 e 6, no trecho 1 do canal de navegação. Uma curva localizada próximo ao Armazém 12, no Paquetá, e a região próxima ao Armazém 8, no Valongo, também são locais que costumam ter a profundidade (e consequentemente o calado) reduzida por conta do assoreamento.

Eficiência operacional

De acordo com dados do Sindicato das Agências de Navegação Marítima do Estado de São Paulo (Sindamar), nos navios de contêineres, a cada um centímetro de redução de calado, deixa-se de carregar de sete a oito contêineres. Já no caso das embarcações graneleiras (aquelas que transportam soja e açúcar, por exemplo), a cada um centímetro a menos de calado, deixa-se de embarcar 100 toneladas. A estimativa leva em conta navios tipos Cape Size ou Panamax.


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