07 de agosto de 2015

Atuação do BC no câmbio e dados de emprego dos EUA fazem dólar cair

Fonte: O Estado de S. Paulo - http://economia.estadao.com.br/ - 7/8/2015 - 13h50

Silvana Rocha - Agência Estado

# Em dia volátil, moeda americana foi de R$ 3,56 a R$ 3,49 na parte da manhã; BC mostrou desconforto com disparada do dólar nos últimos dias e ampliou atuação

SÃO PAULO - O dólar mostrava volatilidade no pregão desta sexta-feira, 7, após a crise política garantir ganhos de 6,19% nas últimas seis sessões. Por volta das 13h, a moeda americana caía 0,40%, a R$ 3,522, pressionada por um aumento da atuação do Banco Central no mercado de câmbio, e também por dados de emprego dos Estados Unidos.

Na abertura, a moeda caiu porque havia espaço para realização de lucros e, com uma mudança na rolagem de contratos de swap pelo BC, o mercado ficou aliviado por não ter de comprar cerca de US$ 4 bilhões para honrar o compromisso em 1º de setembro.

Ontem, quando o dólar encostou em R$ 3,57, o BC decidiu intervir no mercado de câmbio de forma mais intensa, ao ampliar de 6 mil para 11 mil a oferta de contratos de rolagem de swap cambial. O uso desse instrumento financeiro, na prática, faz com que o BC coloque mais dólares no mercado a cada dia para tentar conter a alta da moeda norte-americana, que engatou uma trajetória de elevações com a crise política no País.

Mais cedo, no entanto, um fluxo de saída de US$ 150 milhões de uma empresa petrolífera, combinado com compras antecipadas em meio à espera de dados fortes de emprego nos EUA, deu impulso às cotações. Com a divulgação desses dados, o dólar à vista renovou máximas até R$ 3,5670 (+0,88%).

Uma releitura posterior dos dados, no entanto, acabou induzindo vendas para apuração de ganhos e o dólar retomou as perdas, renovando mínimas até R$ 3,4920 (-1,24%) no fim da manhã.

O governo dos EUA informou a criação de 215 mil empregos no país em julho, em linha com a previsão dos economistas consultados pela Dow Jones Newswires. Os dados de maio e junho foram revisados, o que mostrou 14 mil vagas a mais criadas nos dois meses do que o calculado anteriormente. Com as revisões, a média de criação de vagas dos últimos 3 meses ficou em 235 mil vagas, acima dos 195 mil dos três meses anteriores. Com isso, a percepção é que teria se fortalecido a chance de o Federal Reserve, banco central dos EUA, elevar os juros na reunião de setembro.

Numa releitura desses dados, porém, o economista-chefe da Markit, Chris Williamson, comentou que, apesar da "sólida" criação de vagas, os salários seguem subindo pouco e, se a tendência persistir, o Fed pode adiar o movimento nos juros mais para o final do ano, por causa da baixa pressão na inflação. Por isso, para ele, o movimento nos juros não pode ser considerado como certo em setembro. Em consequência, o mercado de câmbio retomou as vendas de dólares.

Compartilhe

Este site usa cookies e dados pessoais de acordo com os nossos Termos de Uso e Política de Privacidade e, ao continuar navegando neste site, você declara estar ciente dessas condições.