07 de julho de 2014

'Abastadas', companhias globais gigantes seguram investimentos

Fonte: Folha de S. Paulo - 7/7/2014 - 2h00

DO "FINANCIAL TIMES"

A perspectiva de um aumento no investimento global por companhias dotadas de grandes reservas de caixa até agora não se materializou.

Ainda que as grandes companhias mundiais continuem a deter um nível recorde de reservas de caixa, da ordem de US$ 4,5 trilhões (cerca de 6% do PIB global) para as 2.000 maiores companhias em termos de investimento de capital em 2013, a probabilidade é que o investimento caia neste ano, de acordo com projeções da Standard & Poor's baseadas em números do primeiro semestre.

Essa queda viria se somar ao declínio de 1% em 2013.

"Havia muita esperança de que uma melhora clara no ciclo econômico deflagrasse um segundo estágio, no qual as empresas se sentiriam mais confortáveis e começariam a investir suas reservas de caixa", disse Gareth Williams, economista da Standard & Poor's em Londres.

"Por diversas razões, isso não vai acontecer, o que desperta questões sobre o vigor da recuperação este ano."

Os investimentos de capital pelas companhias de mercados emergentes, depois de cair em 4% em 2013 ante o ano anterior, agora parecem destinados a cair pela mesma proporção este ano.

"Talvez exista um processo maior de ajuste acontecendo nos mercados emergentes", afirmou Williams.

Companhias dos setores de commodities –que historicamente sempre mantiveram nível elevado de investimento de capital– também estão apertando os cintos.

A S&P afirmou que cortes agressivos de investimentos de capital estavam sendo implementados por mineradoras como BHP Billiton, Vale e Rio Tinto e que há crescente evidência de paralisia nos investimentos de capital de companhias como Petrobras, Chevron, Gazprom e Total.

No início de 2014, o presidente-executivo da Royal Dutch Shell disse que os investimento de capital da empresa cairiam em até US$ 9 bilhões, para US$ 37 bilhões neste ano.

Ben van Beurden disse que o aperto de cintos seria caracterizado por "escolhas duras sobre novos projetos e redução no crescimento de investimentos".

A despeito das constatações, a S&P disse que havia algumas razões para sentir otimismo quanto a uma futura recuperação no investimento de capital, o que inclui a abundância de reservas de caixa em muitas empresas, os estoques envelhecidos de capital e a melhora da economia mundial.

Tradução de PAULO MIGLIACCI

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