Na última semana, aconteceu o workshop Donas da Obra, que reforça o papel do Sebrae Aqui Mulher – Santos como uma agenda permanente de formação, inclusão produtiva e fortalecimento da autonomia feminina. Realizado por meio de uma parceria entre o CMEC Santos, a Secretaria da Mulher, Cidadania, Diversidade e Direitos Humanos (SEMULHER), o Sebrae-SP e empresas apoiadoras, o projeto demonstrou, já em sua primeira edição, o forte interesse das mulheres por capacitações técnicas práticas.
Em poucos dias, mais de 100 mulheres se inscreveram para apenas 30 vagas, evidenciando uma demanda crescente por formações em áreas tradicionalmente associadas ao público masculino, como reparos e manutenção residencial. O dado acompanha uma tendência apontada pelo Sebrae: nos últimos anos, tem aumentado de forma consistente o número de mulheres que buscam qualificação técnica, atividades manuais e negócios ligados à prestação de serviços, especialmente aqueles que permitem autonomia, flexibilidade e geração de renda própria.
Durante os dias de aprendizado, as participantes tiveram contato com uso de ferramentas, segurança, atendimento ao cliente e introdução ao empreendedorismo, sempre com foco na aplicação prática e na realidade do mercado. A capacitação contou com a atuação dos profissionais Davi Lopes e Sebastião Gabriel Santos, da Makita Brasil, que compartilharam experiências, técnicas e orientações sobre o manuseio correto de equipamentos reconhecidos como referência no setor.
Para a Eliane Sammarco, Presidente do CMEC Santos e idealizadora do projeto “O Donas da Obra nasce da escuta das mulheres e da percepção de que autonomia também passa pelo domínio do conhecimento técnico. A ideia é mostrar que elas podem aprender, executar, empreender e gerar renda a partir dessas habilidades, com segurança e confiança.”
Mulheres, técnica e independência: um mercado em transformação
O setor de manutenção e pequenos reparos, historicamente masculinizado, vem passando por transformações importantes. Cada vez mais mulheres demonstram interesse em colocar a mão na massa, aprender a lidar com ferramentas, resolver demandas do dia a dia e até atuar profissionalmente nesse segmento.
Esse movimento dialoga com dados do Sebrae que mostram o crescimento do empreendedorismo feminino por necessidade e por oportunidade, especialmente em áreas ligadas à prestação de serviços. A busca por independência financeira, aliada à vontade de aprender algo novo e aplicável, tem levado muitas mulheres a romper estigmas e ocupar novos espaços.
A própria cultura popular já havia antecipado essa mudança ao apresentar, anos atrás, personagens femininas que desafiavam padrões. Um exemplo emblemático foi a personagem “Pereirão”, interpretada por Adriana Esteves, que levou à televisão a imagem de uma mulher forte, resolutiva e capaz de realizar reparos, usar ferramentas e resolver problemas práticos — sem que isso anulasse sua identidade ou personalidade. Hoje, iniciativas como o Donas da Obra transformam esse imaginário em formação concreta e oportunidade real.
Além disso, há um aspecto relevante relacionado à sensação de segurança e confiança. Muitas mulheres relatam que se sentem mais confortáveis ao contratar outras mulheres para serviços dentro de casa, como pintura, pequenos reparos e manutenção. Ao capacitar mulheres para esse tipo de atuação, o Donas da Obra contribui para a criação de uma rede de prestadoras de serviço, baseada em confiança, identificação e fortalecimento coletivo.
Impacto social, ESG e geração de valor
O Donas da Obra também se destaca por seu impacto social alinhado às práticas ESG. No eixo Social, o projeto promove inclusão produtiva, qualificação profissional e geração de renda para mulheres. No eixo Governança, fortalece a cooperação entre instituições, poder público, entidades empresariais e iniciativa privada. Já no eixo Ambiental, ao incentivar o uso correto de ferramentas, a manutenção preventiva e a locação de equipamentos, contribui para o uso mais eficiente de recursos e a redução de desperdícios.
A percepção das participantes reforça o impacto social do projeto e a relevância da formação prática. Para Cristiane Conceição, aluna do workshop, o Donas da Obra representa autonomia, aprendizado aplicado e novas possibilidades:
“O Donas da Obra me taz autonomia. Hoje eu consigo cuidar do meu próprio espaço e resolver coisas que antes eu precisava chamar outra pessoa para fazer. O mais gostoso foi aprender, de verdade, para que cada máquina serve e como usar do jeito certo, inclusive descobrir que eu já tinha comprado ferramenta errada.
Agora eu vejo que isso pode virar renda, com pequenos reparos para uma vizinha, uma amiga. São coisas simples do dia a dia, mas que fazem toda a diferença.”
Mais do que um curso, o Donas da Obra se conecta a outros projetos estruturantes do CMEC Santos, desenvolvidos em parceria com empresas e instituições, com foco em empregabilidade, empreendedorismo feminino e acesso ao mercado. A proposta é que a capacitação seja um ponto de partida para novas oportunidades, redes de trabalho e iniciativas futuras.
Encerramento em campo e conexão com o mercado
O encerramento do workshop marcou um dos momentos mais simbólicos do projeto. No último dia, as participantes realizaram uma visita técnica à Loca-Tudo, onde puderam conhecer os equipamentos disponíveis para locação, entender possibilidades de uso profissional e ampliar a visão sobre o mercado de serviços e manutenção.
A atividade em campo reforçou o compromisso do Donas da Obra em aproximar as mulheres da realidade do mercado, conectando conhecimento técnico, acesso a ferramentas e visão empreendedora. Durante a visita, também foi realizada a entrega dos certificados de conclusão, simbolizando não apenas o encerramento da formação, mas o início de novas trajetórias possíveis.
“A gente veio com o objetivo de ensinar, não de vender. Nosso foco foi mostrar o que é cada máquina, para que serve, como usar com segurança e qual é o equipamento mais adequado para cada situação. O que mais chamou atenção foi a curiosidade e a vontade real de aprender. Elas perguntam, participam e querem praticar — isso faz toda a diferença.” contou Sebastião Gabriel Santos, promotor técnico da Makita Brasil.
“Para nós é muito gratificante estar aqui. As mulheres mostram muita dedicação e uma vontade enorme de aprender. Muitas falam que nunca tinham usado uma ferramenta, mas querem aprender do jeito certo. A participação delas é intensa, e isso surpreende de forma muito positiva.” Davi Lopes, profissional da Makita Brasil
Com a expressiva procura, o CMEC Santos, em conjunto com o Sebrae Aqui Mulher – Santos, a Casa da Mulher, a Associação Comercial de Santos e as empresas parceiras, já avalia a estruturação de novas turmas e desdobramentos do projeto, com prioridade para as mulheres que permaneceram na lista de espera.
O Donas da Obra consolida-se, assim, como uma ação estratégica de impacto social, alinhada à agenda ESG e às políticas de desenvolvimento econômico e inclusão produtiva, reafirmando a Casa da Mulher como um espaço vivo de formação, conexão com o mercado e construção de caminhos reais para a autonomia econômica das mulheres de Santos.