A Associação Comercial de Santos (ACS) apresenta mais um artigo da série Vozes ACS, iniciativa que reúne reflexões e análises de lideranças da entidade sobre temas relevantes para o ambiente empresarial, a gestão e o desenvolvimento da sociedade.
Nesta edição, a 2ª diretora-financeira da ACS, Roseneide Fassina, assina o artigo “A importância de estar presente”, no qual aborda o valor do olhar, da escuta e da comunicação não verbal nas relações humanas, especialmente em um cenário marcado pelo avanço das tecnologias digitais.
A reflexão surgiu a partir da leitura do artigo “Engajar para crescer”, assinado pelo presidente da ACS, Elber Justo. Inspirada pelo tema, Roseneide resgata conceitos estudados durante sua formação em Psicologia, com destaque para as contribuições de José Ângelo Gaiarsa sobre a importância do olhar na comunicação.
No texto, a autora destaca que a comunicação vai além das palavras e envolve expressões faciais, gestos, postura e tom de voz. Esses elementos contribuem para a compreensão das mensagens e para a construção de relações mais próximas e significativas.
Roseneide também relaciona essa perspectiva ao exercício da liderança, ressaltando que a capacidade de ouvir com atenção, compreender o outro e demonstrar presença são aspectos fundamentais para fortalecer as relações entre líderes, equipes e colegas de trabalho.
A diretora reconhece a importância da tecnologia como ferramenta para conectar pessoas, compartilhar informações e promover o engajamento. No entanto, chama a atenção para a necessidade de preservar o contato humano e a escuta genuína em meio à crescente utilização das telas como principal meio de comunicação.
Para Roseneide, o desafio está em aproveitar os benefícios da transformação digital sem perder características essenciais das relações humanas, como a empatia, a convivência e a construção de vínculos afetivos.
A publicação integra a série Vozes ACS, que busca ampliar o diálogo sobre questões relevantes para o ambiente empresarial e a sociedade, valorizando o conhecimento, as experiências e as perspectivas das lideranças da entidade.
Confira o artigo
A importância de estar presente
Por Roseneide Fassina, 2ª diretora-financeira da Associação Comercial de Santos (ACS)
Lendo o artigo do presidente da ACS, Elber Justo, com o título “Engajar para crescer”, me deparei com a frase “Novos olhares...” e, não que fosse este o tema, mas fui remetida a um assunto que gostava muito de desenvolver nos tempos de universidade, mais precisamente no curso de Psicologia: a importância do olhar na comunicação.
Segundo a perspectiva do meu professor José Ângelo Gaiarsa, autor de O Olhar, existe uma tendência cultural de atribuir às palavras uma importância maior do que aos elementos visuais e corporais presentes na comunicação. Para o autor, o significado das palavras não pode ser completamente separado da expressão do rosto, do tom de voz, dos gestos, da postura e das circunstâncias em que determinada fala acontece.
Dessa forma, uma mesma frase pode adquirir significados diferentes dependendo da maneira como é pronunciada e da expressão corporal que a acompanha. Essa concepção reforça a ideia de que a comunicação deve ser compreendida como um fenômeno integrado, no qual palavra e corpo atuam conjuntamente. Fiquei pensando o que ele diria nestes tempos modernos, em que nos comunicamos mais através de telas do que presencialmente.
E, voltando ao artigo do presidente Elber, nas contribuições dele sobre liderança, acrescentaria, com todo o respeito que ele merece, que as relações humanas mais significativas dependem da capacidade de compreender o outro e de oferecer uma presença baseada na aceitação e na escuta. Nessa perspectiva, o olhar atento pode funcionar como uma demonstração de presença. Quando alguém olha com atenção enquanto o outro fala, transmite uma mensagem que ultrapassa o conteúdo das palavras.
Estou saudosa de um tempo em que tinha a sensação de poder prestar mais atenção nos detalhes, em que as mensagens muitas vezes vêm cifradas e poderíamos analisar com mais atenção. Hoje, as telas não permitem que tenhamos este rigor. Talvez por este motivo eu tenha tanto horror em falar com interlocutor que não abre a imagem. Não consigo compreender como podemos manter diálogo sem ter a imagem do receptor.
Não sou contrária ao mundo digital. Num mundo globalizado, faz-se necessária a utilização de todos os tipos de tecnologia para unir, engajar e passar nossa mensagem. Mas, sempre que possível, vamos exercitar a nossa capacidade de escuta. Muitas vezes, é só o que os nossos liderados e mesmo nossos pares precisam.
O que segue diferenciando o ser humano é a sua característica de socialização e sua necessidade de fazer parte de um grupo, de se aproximar de outros indivíduos para amar, conviver, dar sentido à vida e aprender.
Por mais evolução tecnológica que estejamos vivendo, não há nada ainda inventado para substituir o contato físico ou a memória afetiva. Não há IA para beijar ou abraçar um filho ou produzir o sabor da comida preferida feita pela mãe.
Defendo que façamos o melhor uso da tecnologia e da comunicação e que sigamos com todas as dores e delícias de sermos humanos nas telas e muito mais fora delas.