De Genebra
George Clooney contra Dustin Hoffman durou pouco no mundo do café em cápsulas. O primeiro continua a fazer publicidade para Nespresso, ganhando cerca de US$ 10 milhões por ano, mas não se sabe até quando continuará a encarnar a imagem da marca. Já a companhia italiana Café Vergnano, de Turim, achou que não valia a pena continuar gastando dinheiro com Hoffman porque a propaganda ficava muito colada na da Nespresso e já há alguns anos resolveu buscar outra imagem.
Vergnano conseguiu na Justiça, em primeira instância, o direito de continuar vendendo suas cápsulas que são compatíveis com as máquinas da Nespresso, derrotando o grupo suíço que alegara violação de patente. "Queremos ter uma concorrência leal", diz Carolina Vergnano, diretora da companhia italiana. Ela diz vender dois milhões de cápsulas por mês, cada uma por € 0,37. A assessoria confirma que as vendas não superaram ainda as de Nespresso na Itália.
Mas se tem alguém que realmente irrita a Nespresso é Jean-Paul Gaillard, que foi seu primeiro diretor e que continua a se atribuir o papel de lançador da marca.
"Fiz Nespresso contra a própria Nestlé", disse ele. "Quando cheguei nos anos 80 na companhia, a Nestlé tinha já a patente há dez anos, sem fazer nada com ela. Precisei pegar dinheiro no UBS para fazer a primeira campanha de marketing, porque a Nestlé não quis pagar".
Gaillard conta que depois do sucesso de Nespresso, a Nestlé ofereceu-lhe um cargo importante nos Estados Unidos, mas voltou logo à Suíça. Depois de algum tempo, ele decidiu criar seu próprio negócio do café em cápsulas, mas biodegradáveis. "A Nestlé faz desde então uma campanha dura, uma guerra". Na lista de conflitos, há de seu lado denúncia de espionagem industrial contra a Nestlé.
"O advogado da Nestlé reconheceu ter obtido nossas cápsulas, por acaso, antes mesmo de sua comercialização", conta. O processo continua na Justiça. "As alegações e a queixa formulada são sem fundamento", reagiu um porta-voz de Nespresso. "Não é a primeira vez que essa empresa formula afirmações similares".
Gaillard é um duro crítico do modelo de Nespresso e garante que sua companhia, a Ethical Coffee, vai superar a marca do grupo Nestlé "dentro de cinco anos". Atualmente, diz vender 500 milhões de cápsulas por ano em dez países. A Nespresso não revela quanto vende por ano. (AM)
Fonte: Valor - 25/4/2013