# Gestores da Bradesco Asset, Verde Asset, Dynamo, HSBC e JGP participaram de evento da Anbima em São Paulo
Fonte: http://www.infomoney.com.br - 20/5/2015 - 15h26
Por Diego Lazzaris Borges
SÃO PAULO – Se você tivesse bastante dinheiro para investir, quais seriam suas escolhas no momento atual ? O moderador Dony de Nuccio perguntou para gestores de recursos, durante 8º Congresso Anbima de Fundos de Investimento, onde eles investiriam R$ 1 bilhão atualmente.
Alexandre Muller, da JGP Gestão de Recursos, apontou oportunidades no crédito privado. “Enxergo esse segmento como uma boa alternativa, tanto no mercado local e em alguns setores do mercado offshore,” destacou. Ele afirmou que está havendo uma crescente oferta de ativos de crédito no Brasil. “As empresas estão vindo buscar no mercado de capitais funding que até pouco tempo atrás elas pegavam no BNDES, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal”, afirmou.
Ele também destacou que os títulos de crédito são diferentes dos títulos de renda variável principalmente por terem prioridade sobre o fluxo de caixa das empresas. “A empresa gera receita, paga os fornecedores e o primeiro fluxo de caixa livre vai para o serviço da dívida. Então em um momento de fundamentos ainda incertos, essa prioridade é uma opção relativamente conservadora em relação à renda variável”, afirmou.
Já Bruno Rudge, sóciosênior da Dynamo Administração de Recursos, sugeriu aplicação em uma carteira de ações. “Pensando no longo prazo, eu optaria por companhias de boa qualidade aqui e no exterior,” explicou. Ele destacou que os desafios, no entanto, não são pequenos. “Acho que neste momento, para poder aproveitar as oportunidades, disciplina é fundamental. O Brasil passou por um longo período de crescimento, seja pelo efeito muito favorável das commodities, [pelo crescimento da] China, e pelo aumento de crédito no Brasil. Em 2008 e 2009 houve um processo de liquidez grande no mundo e isso sem dúvida criou algumas ‘indisciplinas’, tanto do ponto de vista dos investidores quanto das empresas. Houve um processo de alocação de capital cujo risco de baixo retorno é enorme. Ainda teremos um período de destruição de capital. As oportunidades podem estar ai”, afirmou.
Artur Wichmann, gestor da estratégia global da Verde Asset Management, disse que investiria metade em bolsas no exterior e a outra metade em NTNB 2019 (títulos de inflação com vencimento em 2019). O gestor acredita que o país vive o esgotamento do modelo de desenvolvimento econômico, baseado no crédito e consumo. “As características deste esgotamento vão ser crescimento baixo, inflação mais alta. Isso tem um impacto alto no preço de ativos”, afirmou. Já quando questionado sobre onde não investiria de jeito nenhum, Winchmann respondeu que ficaria longe da Bolsa Brasileira.
Reinaldo Le Grazie, CEO da Bradesco Asset Management, destacou que os países emergentes estão fora do radar atualmente e que prefere olhar mais para economias consolidadas. “Estamos há 7 anos em uma crise que não tem exemplo recente, mas em algum momento a política monetária global vai ser afetada. Por isso, estar ‘ativado’ em dólar parece fazer bastante sentido. Então uma parte do portfólio seria de investimento no exterior: ações americanas, europeias em particular e japonesas”, exemplificou.
Para Alcindo Canto, CEO da HSBC Global Asset Management no Brasil, em um cenário como o atual, de taxas de juros bastante elevadas, o desafio não é só inovar na oferta de produto, mas também incrementar o retorno de outras aplicações para atrair os investidores. Segundo ele, é preciso debater como tirar o investidor da zona de conforto do CDI (Certificado de Depósito Interbancário). “O retorno do CDI dá a sensação para o investidor de que tudo vai bem mesmo se ele não tomar nenhuma decisão de risco”, afirmou.