Fonte: Brasil Econômico / 4/2/2014
Facebook completa hoje dez anos com 1,23 bilhão de usuários e valendo US$ 135 bilhões no mercado
Só chegou aqui ao Brasil algum tempo depois, mas foi em 4 de fevereiro de 2004 que Mark Zuckerberg, Eduardo Saverin, Dustin Moskovitz e Chris Hughes jogaram na rede o ‘Thefacebook', desenvolvido inicialmente para conectar os estudantes de Harvard e instituições afins.
O sucesso retumbante os levou a ganhar fronteiras. Hoje, 1,23 bilhão de usuários entram no Facebook pelo menos uma vez por mês. A empresa vale US$ 135 bilhões. Mais que isso, está explodindo no mundo móvel: no fim de 2013, as vendas por meio de anúncios em smartphones ou tablets ultrapassaram as feitas nos velhos PCs. É um caminho sem volta. Na última década, Zuckerberg, que só completa 30 anos em maio, ficou podre de rico; o brasileiro Saverin tomou outros rumos, etc, etc. Tudo virou história. A questão agora é: qual é o futuro do Facebook?
Para quem vive da internet - e, especialmente - do comércio eletrônico, é sempre bom pensar nisso, porque essa ‘coisa' chamada rede social tornou-se o território da internet onde milhões de pessoas estão diariamente trafegando, trocando ideias, abrindo segredos. Isso significa um grande potencial de negócios.
Fui ouvir a opinião de quem entende, o diretor de Estratégia da Agência Frog, Roberto Cassano, que é, digamos assim, um ‘jovem veterano' do mundo digital. Perguntei como ele acredita que será o Facebook daqui a dez anos: "O Facebook não vai ser mais exatamente como o conhecemos hoje. Vai se pulverizar em diversos sistemas de aplicativos", respondeu o Cassano. "Ele será menos um endereço e mais uma família de soluções. Hoje o Facebook tem o Instagram e o recém-lançado Paper, por exemplo. E tudo bem se perder espaço no desenho atual. Esses aplicativos vão todos levar para o mesmo mundo. Dentro de casa, acaba ficando tudo bem."
Tudo a ver - e os resultados financeiros da empresa comprovam isso. Ramificar-se é uma estratégia que comparo à da Google, que prende você, por exemplo, pelo Gmail, pelo Drive ou até pelos Maps, o que seja.
A Google já tinha feito isso muito bem com o moribundo porém insistente Orkut, ferramenta que realmente ensinou o brasileiro a gostar e transitar pelas redes sociais interneteiras. Só que o Orkut não soube se adaptar e acabou perdendo seu espaço depois que o Facebook chegou por aqui, em 2008. Hoje, somos 88 milhões de feicebuqueiros bastante ativos. E o Orkut caiu no esquecimento.
Cassano garante, aliás, que é justamente essa capacidade de adaptação que garante saúde ao Facebook. É o contrário do que disseram, nos últimos tempos, pesquisas indicando que a rede de Zuckerberg está começando a entrar em crise. Palpite furado.
"Estudos como a da Universidade de Princeton não consideram esse lado mutante do Facebook", diz Cassano. "Essas pesquisas fizeram confusão. A empresa não é um produto, ou seja, ela pode se transformar em um ecossistema completamente diferente".
Fica a lição Facebook, via Cassano: saiba adaptar-se.
Segurança é coisa séria
A gente fica preocupado em decorar senhas e senhas, se enrola todo com isso, mas nem percebe que nossos dados nem sempre estão sendo bem guardados. Prova disso está no relatório sobre segurança de infraestrutura que a Arbor Networks está divulgando. Contém dados importantes levantados entre novembro de 2012 e outubro de 2013 pelo grupo, especializado na prevenção de ataques a redes no mundo corporativo. O primeiro ponto delicado levantado pela pesquisa foi o aumento de 36% no número de empresas que sofrem as chamadas ameaças persistentes avançadas (APTs).
Com isso, a preocupação número um é com servidores que podem controlar o seu computador secretamente (os botted hosts). A presença de APTs nas redes das empresas aumentou de 20% para 30% entre o relatório anterior e o atual. Só que, curiosamente, o mais sintomático é o seguinte: 57% das empresas que participaram da pesquisa afirmaram que não têm soluções para identificar os dispositivos de propriedade dos funcionários acessando a rede corporativa.
Eis aí uma questão delicada, principalmente com a tendência crescente do tal do BYOD, do acrônimo em inglês para "traga seu próprio dispositivo". Afinal, a empresa deixa na mão do funcionário a responsabilidade pela proteção de suas máquinas. Isso é correto? Das empresas entrevistas pela Arbor, quase um quarto das que oferecem serviços móveis indicou que houve ataques DDoS impactando sua infraestrutura de internet móvel.
O DDoS é o chamado ataque por negação de serviço. Nesse caso, o computador agressor faz um número gigantesco de requisições à rede vítima, que acaba não aguentando o tranco e saindo de operação. Os data centers são alvo predileto para esse tipo de ação. De acordo com a Arbos, mais de 70% dos data centers em operação relatam ataques de DDoS.
Em 10% deles, foram registrados mais de cem ataques por mês. Mais uma vez, e não menos curiosamente, um quarto das empresas consultadas respondeu que não conta com qualquer grupo de segurança com responsabilidade formal pela segurança de DNS. Estariam contando com a sorte? Conclusão: "De provedores de serviços a empresas, as equipes de segurança e de TI enfrentam um cenário dinâmico de ameaças - com adversários bastante hábeis e pacientes", diz Matthew Moynahan, presidente da Arbor.
"Não há nenhuma solução mágica, e é um erro pensar que a tecnologia por si só pode manter uma rede segura. O uso das melhores práticas em relação a pessoal e a processos também é importante."